Um homem está preso. Caiu em desgraças ao defender um amigo no senado. Acusado de favorecer os interesses do novo Imperador de Constantinopla sobre o Ocidente comandado pelo iletrado Ostrogodo Teodorico, ele passa dois longos anos no cárcere. Sabe que irá morrer dentro em pouco. Desespera-se. Onde obter conforto para esta guinada da fortuna? Recorre à filosofia que personificada numa bela mulher, aparece-lhe na prisão e consola-lhe os últimos dias. Compõe uma obra belíssima e que tem o título sugestivo de “A Consolação da Filosofia”. Após muito tempo de desconforto, seus dias iluminam-se. Sente que a Filosofia foi sempre sua melhor amiga e deixa-se executar serenamente, lembrando-se do exemplo anterior do velho Sócrates. Este homem é Boécio, nascido em Roma no ano 480 de nossa era e executado em Pávia no ano 524. Antes de cair em desgraça ocupara importantes cargos de governo, tendo sua obra influenciado posteriormente figuras como Dante, na Divina Comédia. Sua filosofia retoma os princípios de Platão e dos estóicos e fixa a paz e a virtude como únicos caminhos da felicidade (Anotações Filosóficas de Um Livre Pensador, por Eu Mesmo)
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