<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082</id><updated>2011-10-30T20:15:28.986-07:00</updated><title type='text'>DIÁRIO DE UM LIVRE PENSADOR</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>41</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-3731788686389541306</id><published>2011-10-21T08:25:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T08:26:40.968-07:00</updated><title type='text'>OS CARROCEIROS DE SCHOPENHAUER E OS FOGUETEIROS DO SENHOR LUIZ</title><content type='html'>Sempre detestei o comunismo porque ele é absolutamente utópico em suas esperanças de que pessoas tão diferentes vivam em um mundo de suposta igualdade. Neste exato momento há aborígines australianos e índios brasileiros que ainda fazem fogo usando pedras e gravetos. Há também físicos nucleares tentando penetrar o âmago da matéria e cosmólogos sinceramente interessados em saber como nasceu e evoluiu o universo. Tentar nivelar uma sociedade tão dispare, onde os talentos são distribuídos pela natureza não com abundância, mas sim com parcimônia, é coisa de quem não pensa muito bem. As diferenças sempre vão haver no mundo natural; aliás, as diferenças são as grandes responsáveis pela máquina do mundo, das variações genéticas que possibilitam a evolução da vida sobre o planeta até os desníveis de potencial que fazem, por exemplo, existir o fluxo da energia em suas diversas manifestações no cosmos imenso de estrelas e galáxias. Quero aqui analisar alguns aspectos interessantes destas diferenças no que diz respeito aos homens em lugarejos atrasados no interior do Pará, região que, por nascimento, tenho observado um pouco melhor. Tomemos um fato concreto. Há interiores do Pará onde ainda imperam códigos de comunicação que nos fazem lembrar daqueles velhos sinais de fumaça que víamos quando adolescentes nos antigos filmes de western americanos. Se pegássemos alguns rojões e tentássemos com isso anunciar para a comunidade algumas “novidades” o que viria a ser isso senão um certo código de comunicação primitivo? Pois diversas vezes observei que muitas cidadezinhas dispunham desse expediente para divulgar os mais diversos acontecimentos, a ponto de muitas vezes eu pensar em comunicar aos senhores prefeitos locais uma brilhante idéia que tive certo dia ao ser acordado lá pelas seis da manhã por um diligente fogueteiro que insistia em soltar rojões bem próximo de minha casa. A idéia era a seguinte: porque não se criar nesses lugarejos um cargo público provido em concurso exatamente para fogueteiros? O fato é que esses senhores que volta e meia nos acordam com seus rojões são tão úteis nessas comunidades que não vejo porque motivo não se institucionalizar o cargo para regularizá-los e pagando inclusive adicional de periculosidade, uma vez que volta e meia o rojão parece se rebelar contra aquele que o solta, especialmente levando-se em conta que muitos desses sujeitos vivem embriagados! Penso aqui no velho Schopenhauer vociferando contra os famigerados carroceiros que insistiam em estalar seus chicotes barulhentos em frente à residência do filósofo germânico. Schopenhauer até sugeria que os chicotes fossem usados nas costas não dos cavalos, mas sim dos carroceiros impertinentes, tal o seu desprezo por essas criaturas! É freqüente os fogueteiros me perturbarem com seus rojões nas horas mais inconvenientes, quase com se achassem que todos os indivíduos que moram no interior dessas cidadezinhas paraenses não tivessem acesso a uma gama de tecnologias modernas que de há muito deixou os primitivos códigos de comunicação para aqueles que ainda fazem fogo usando pedras e gravetos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-3731788686389541306?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/3731788686389541306/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=3731788686389541306' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3731788686389541306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3731788686389541306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2011/10/os-carroceiros-de-schopenhauer-e-os.html' title='OS CARROCEIROS DE SCHOPENHAUER E OS FOGUETEIROS DO SENHOR LUIZ'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-8788843093567642846</id><published>2011-09-02T08:08:00.001-07:00</published><updated>2011-09-02T08:08:42.849-07:00</updated><title type='text'>DE COMO A VIDA EM UMA COMUNIDADE ATRASADA PODE NOS LEVAR A SABER QUAL A DIFERENÇA ENTRE ÉTICA E MORAL</title><content type='html'> &lt;br /&gt;Deu-se que em uma certa fase da minha vida, há coisa de doze anos, eu, LUIZ NUNES, vivi algum tempo em uma pequena localidade, presenciando coisa absurdas. Então, certo dia registrei no meu diário: A medida da ignorância de uma comunidade pode ser facilmente conhecida analisando-se os valores adotados pelas pessoas que a compõe. Tome-se, por exemplo, o bem mais precioso a qualquer homem de espírito: a vida. Com que grau costumamos respeitá-la? Damos pouca importância a ela ou, ao contrário, a colocamos no empíreo, vendo-a tão sublime que é digna de elevar-se às esferas cristalinas com que outrora os antigos formavam o mundo supra lunar?  Se você presenciasse um homem matar um pai de família por motivo torpe, pediria posteriormente por sua liberdade supostamente alegando ser amigo do assassino ou gostaria que o criminoso fosse levado ao tribunal do júri? E se você tivesse presenciado o assassinato e podendo evitá-lo apenas ficasse olhando, deixando assim que seu pretenso “amigo”  fosse responsabilizado por algo tão extremo? Você ainda poderia se considerar amigo do matador após essa omissão, por não ter ao menos tentado evitar que ato tão absurdo e desproporcional fosse perpetrado e ao final levasse seu “amigo” para a cadeia? Esta-se aqui diante de uma MORAL bem tacanha, de costumes rudes consagrados pelo uso quase bárbaro, de valores límbicos adotados mas pela ignorância de que por quaisquer reflexões, racionalizações que nos levariam ao domínio de uma ÉTICA. Mas o que digo? Ora, só homens inteligentes e instruídos chegam a este ponto, a um aprofundar o pensamento e pensar valores nobres e superiores! Em suma, onde falta cultura, onde impera a truculência, essa dileta filha da ignorância galopante, tem-se uma moral de beco, uma moral de rastejar-se, de esgueirar-se. A nós, homens inteligentes e de boa formação, só nos restar o manter-se como que de passagem para não fazer-se notar demasiado. É que temos amor à vida, e não só a nossa, bem entendido...      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-8788843093567642846?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/8788843093567642846/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=8788843093567642846' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8788843093567642846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8788843093567642846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2011/09/de-como-vida-em-uma-comunidade-atrasada.html' title='DE COMO A VIDA EM UMA COMUNIDADE ATRASADA PODE NOS LEVAR A SABER QUAL A DIFERENÇA ENTRE ÉTICA E MORAL'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-7169744467954477553</id><published>2011-02-27T07:14:00.000-08:00</published><updated>2011-02-27T07:16:16.954-08:00</updated><title type='text'>MÉTODO PRÁTICO DE RECONHECIMENTO DE CAIPIRAS</title><content type='html'>Um caipira típico é aquele sujeito que acha que o mundo acaba bem ali, depois dos limites de sua localidade. Tendo um comportamento per vezes tribal até, ele não suportará que um cidadão de outro lugar opine sobre questões locais, o que levou Schopenhauer, após uma permanência em um local decadente, a vociferar certa feita sobre a abominável prática do bairrismo, essa coisa tão comum em populações incultas. Essa criatura, o caipira, de nome científico HOMO LIMBICUS, passará um terço da existência tacanha de olho na vida do próximo, fazendo-nos recordar da leitura de um célebre ensaio de Arthur Schopenhauer quando em certo trecho o maravilhoso autor de O Mundo Como Vontade e Representação, nos faz notar que os homens são de duas espécies: aqueles pouco numerosos que se interessam pelo universal, pelas grandes questões, e aqueles outros muito mais abundantes, que se detêm no particular, nas ninharias da vida. Assim, um caipira típico pertencerá a esse segundo grupo de homens.  O segundo terço da vida de um caipira padrão é gasto com jogos de baralho, dominós e assemelhados, assim ele consegue unir a diversão tão cara a homens infantilizados com o observar a vida alheia, vista no primeiro terço, pois em geral procura jogar em lugares em que tenha ampla visão do que se passa em boa extensão de seu lugarejo. Aliás, também esse fato – a propensão ao jogos -, chamou a atenção de nosso velho Schopenhauer que certamente ficou deveras chocado com a perda de um tempo tão precioso, um tempo que poderia ser aproveitado no chamado ócio criativo, na instrução das mentes que tornariam seu lugarejo um lugar melhor para se viver, pois composto de cidadão mais exigentes e transformadores da comunidade, enfim, melhores eleitores. O terço final da vida de todo caipira é aquele onde encontram-se os sonhos de consumo, pois em geral um caipira mantém ares de importância e detesta admitir que é pobre, potencializado que é assim pela mídia, que o torna um consumidor voraz, sendo que mesmo que seus rendimentos não sejam lá grandes coisas, não deixa de manter o nariz em pé, quase como se fora membro de alguma espécie de aristocracia de longa data. Um caipira adora se atolar em dívidas para financiar uma moto ou carro e uma vez que consiga obter esses bens tão sonhados por ele, jamais voltará a andar com as próprias pernas, pois como ouvi da boca de um membro dessa espécie límbica, “andar é coisa de pobre”. Que nascemos todos, ricos e pobres, com dois membros inferiores exatamente para locomoção, pelo menos em distâncias não muito grandes, isso ele nunca raciocinará, afinal raciocinar é demasiado trabalhoso para dois terços do gênero humano. Que os passeios dos peripatéticos e as caminhadas de Rousseau e Kant,  foram de longe mais produtivas para o gênero humano do que todas as idas e vindas do caipira por sobre seus veículos, dificilmente se conseguirá incutir em cabeça tão oca. Está também além das possibilidades de sua cabecinha o entendimento de que seu conceito de pobreza vem de valores formulados pela escória, pelo próprio populacho, em suma, pelo HOMO LIMBICUS, de modo que um homem de espírito nunca deve perder seu precioso tempo tentando explicar ideias que foram e são cultivadas por aqueles de maior intelecto. Por exemplo, se um homem culto mais um tanto quanto sem vivência prática ousar dizer para um caipira que a riqueza pode ser definida de diversas maneiras, que o que é importante para uns já não o é para outro, que alguns homens encontram a paz exatamente na frugalidade de uma vida sem grandes ambições, como foi o caso de Sócrates e tantos outros grandes espíritos, que o dinheiro tem seu valor numa economia de mercado, evidentemente, mas que a vida é mais importante, que o sorriso de uma criança jamais poderá ser pago com quaisquer somatórios em espécie, que um minuto de paz na pobreza vale mais do que um minuto de perturbação gerados pela cobiça, de que os piores homens por sobre a Terra – e aí inclusos os traficantes de droga -, são os mais ávidos por dinheiro, esse homem culto correrá o risco de ser chamado de lunático e contará com o desprezo de quase todos os que o cercam. Evidentemente que  um homem de espírito não deverá lamentar tais coisas pois a opinião do vulgo, o julgamento de quem nasceu com um vácuo no interior da caixa craniana, baterá no rosto do homem de espírito mais como uma brisa leve e infecta proveniente de um pântano próximo, de modo que muito embora não lhe faça mal à saúde, incomoda na mesma medida em que odores infectos nos repugnam, porém, sendo logo levados pela brisa gostosa e benfazeja do espírito bem aquinhoado pela natureza.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUIZ OTÁVIO DOS SANTOS NUNES, 25/02/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-7169744467954477553?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/7169744467954477553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=7169744467954477553' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7169744467954477553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7169744467954477553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2011/02/metodo-pratico-de-reconhecimento-de.html' title='MÉTODO PRÁTICO DE RECONHECIMENTO DE CAIPIRAS'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-873351433131245355</id><published>2011-02-10T19:19:00.001-08:00</published><updated>2011-02-10T19:19:52.708-08:00</updated><title type='text'>TARSO</title><content type='html'>PAULO DE TARSO DOS SANTOS NUNES. Para a maioria das pessoas apenas mais um nome de uma pessoa desconhecida, dado por uma mãe cristã em homenagem àquele que Renan Chamava de o 13º apóstolo. Mas para quem o conheceu como eu, para quem teve o prazer de desfrutar de sua companhia, de ouvir suas colocações quase sempre polêmicas, inconformadas; suas inquietações com as injustiças sociais, sua incapacidade de tolerar abusos, de levar desaforo para casa, como se diz popularmente, O TARSO, como gostava de ser chamado, era “O Cara”. Carismático, amante de uma boa companhia, inquieto, com um imenso sentimento de liberdade que eu só pensava existir nas aves; aquele feeling de que o mundo é pequeno demais, de que há muito para conquistar, de que ficar no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar, nada tinha de agradável, de desejável. Um cara que se doava totalmente aos seus amigos e com isso cativava todos que o cercavam. Era impressionante a quantidade de pessoas que batiam a nossa porta perguntando pelo TARSO! Desde garoto observei que o TARSO monopolizava as conversas com os amigos, a ponto de meu velho pai ao ouvir o TARSO conversar na esquina, próximo a nossa casa, comumente fazer a observação: “ A gente só escuta a voz do Paulinho!”. Verdade se diga: muitas vezes o TARSO passou dos limites em fins da infância e início da adolescência, sendo frequentes as reclamações dos vizinhos sobre as travessuras de nosso Paulinho (era assim que nós sempre o chamávamos). Por exemplo, um dia o TARSO foi olhar com alguns colegas da rua um terreiro de candomblé que havia sido recentemente implantado ali em nosso Bairro e minutos depois da sessão inaugural ter iniciado, a própria mãe de santo procurou meu pai, o velho João Henrique, para relatar que o TARSO havia jogado uma bomba no meio do tal terreiro exatamente na hora em que uma importante entidade havia “baixado”! É, o TARSO nunca ligou mesmo para metafisica, uma vez que o seu negócio era o terra-a-terra, ou melhor, o terra ar de todos os espíritos de alma livre, de todos os buscadores. Sim, o TARSO sempre pareceu buscar algo que nunca conseguíramos entender muito bem. Era quase como se ele quisesse abarcar o mundo inteiro em um abraço, como se quisesse buscar o máximo possível de calor humano, carinho de um maior número de pessoas. O TARSO era também um daqueles sonhadores agnósticos de que nos fala John Lennon na antológica Imagine. Mas não era um daqueles tipos que sonham acordados e ficam a maior parte do tempo deitados na inércia total, aqueles que dizem lutar por uma bandeira e na hora “h”, na hora da luta, dão para trás. Não! O TARSO era a maior expressão do existencialismo sartriano que conheci em minha vida, posto que se fez em ato, na pura ação, na luta constante. Com ele não havia muito espaço para teorias, não. Se a fórmula existencialista de Sartre preconiza que a existência precede a essência, então não exagero ao fazer notar o quanto meu amado irmão se adequava aquele preceito tão caro ao Filósofo francês. Desde setembro de 2010 que tenho dormido e acordado como TARSO em meus pensamentos. Como também sou agnóstico, não posso lamentar a morte prematura de meu irmão recorrendo a expressões do tipo, porque isso foi acontecer logo com uma pessoa tão boa quanto o meu irmão? Tenho que ser duramente consciente, de que muito provavelmente o universo não tenha desígnios celestes superiores. As coisas simplesmente acontecem e as nossas escolhas desempenham um papel fundamental nas consequências futuras. O TARSO não fugiu à regra das responsabilidades que todos devemos arcar por nossos atos, por nossas decisões. O TARSO resolveu que a vida o chamava, o viver cada momento o atraia definitivamente com uma força maior do que qualquer outra no universo. Ele simplesmente não teria muita paciência para perder com tratamentos longos e na maioria das vezes deletérios por seus efeitos colaterais. Ele escolheu o presente. O TARSO não combinava muito com expectativas para  o futuro e com apegos do passado. Tal qual Schopenhauer ao pregar a importância do presente que é o único que realmente importa, porque existente aqui e agora, o TARSO escolheu o minúsculo ponto espaço-temporal que avança inexoravelmente e ao qual nomeamos de presente. Se me perguntarem se o TARSO fez a escolha certa, eu digo com absoluta certeza que o TARSO encontrou um caminho com o coração tão a seu gosto, à semelhança de Nietzsche, que, aliás, ele tanto admirava, e que uma vez disse que na dúvida entre a razão e o sentimento, deveríamos optar pelo segundo. Gosto de observar o céu à noite, no frio da madrugada e tenho o hábito de nomear as estrelas de meu céu particular com nomes de pessoas por quem nutro algum afeto. Foi assim que chamei  Betelgeuse de Carl Sagan, o grande astrônomo falecido há alguns anos. Foi assim que chamei Sírius, a mais brilhante estrela no firmamento, de PAULO DE TARSO DOS SANTOS NUNES, a quem tive o maravilhoso prazer de conhecer,  amar, admirar e, sobretudo, chamar de irmão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-873351433131245355?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/873351433131245355/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=873351433131245355' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/873351433131245355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/873351433131245355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2011/02/tarso.html' title='TARSO'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-3453311007320221854</id><published>2010-05-09T17:22:00.001-07:00</published><updated>2010-05-09T17:22:57.321-07:00</updated><title type='text'>TRISTES TRÓPICOS</title><content type='html'>Há no Pará a 152 km da Capital, Belém, uma terrinha esquecida pelo poder público, talvez por não pesar muito na balança eleitoral, com suas oito mil e tantas almas votantes. É um lugarejo de clima aprazível, de brisa refrescante e gostosa na maior parte do tempo, a ponto de todos por ali se orgulharem profundamente das qualidades climáticas locais e tanto que até é muito comum cada morador citar para os visitantes que algumas revistas já noticiaram o fato, chamando a atenção para o rio que serpenteia pelo centro da Cidade e vários igarapés de águas frias e ótimas para a circulação corporal. Infelizmente tal paraíso abortado carece de mérito humano, posto que o clima é uma dádiva da natureza. Por todos os lados o que se constata é o abandono do povo pacífico e ordeiro, com sua única via de acesso à principal Cidade da região, Capanema, por sobre uma ponte que desmorona em ângulo perigoso há uns dois ou três meses, e ao que parece cairá com algum motorista imprudente levando algumas das almas esquecidas pelo poder público, pelos homens que colocam dinheiro e poder acima da dignidade da condição humana. Falo aqui, decepcionado por ser paraense, por ser brasileiro, por ser obrigado a votar, de um lugar que aprendi a gostar, sobretudo motivado pela quietude e as baixas estatísticas de violência urbana: Peixe-Boi. Sim, a Cidadezinha que a maioria dos políticos de plantão resolveram por de lado, do lugar em que ouvi de um ex-prefeito local que ninguém promoveu gincanas estudantis tão caprichadas quanto ele! De um lugar onde a Senhora Ana Júlia Carepa, de cadeira de rodas resolveu certa feita pedir votos ao povo e onde bem depois, já eleita, apareceu de helicóptero para inaugurar a Delegacia local, evitando assim, trafegar pela péssima PA-124, que recentemente sofreu uma “melhoria” ridícula e aviltante ao eleitor, realizada por uma Empresa chamada Rural Terra que parece ter sido escolhida apenas pelo critério de menor custo, porque, senhores, o que fizeram com o dinheiro público naquelas obras só nos mostra, a nós eleitores conscientes, a nós que não nos vendemos por uma cesta básica, a nós que quando jovens participamos de movimentos estudantis com o doce sonho de darmos nossas humildes contribuições visando transformar o Brasil em um País sério,  o que fizeram com o dinheiro público, volto a dizê-lo, só nos mostra que foi um crime que seria punível com o maior rigor no grupo dos países civilizados, grupo que ao que me parece nós jamais pertenceremos. O que fazer, se a educação, a única que poderia nos salvar, também fica na mão dos vilões, dos gatunos que brincam com nossas vidas e destinos enquanto sorriem e dividem o que nos pilham na calada das nossas tristes noites? Nó final da contas, concluímos que quer com Marx quer com Galbraith, continuamos patinando na lama, e como já dizia meu velho professor de Física, sem atrito, não há movimento!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-3453311007320221854?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/3453311007320221854/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=3453311007320221854' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3453311007320221854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3453311007320221854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/05/tristes-tropicos.html' title='TRISTES TRÓPICOS'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-8833445395642545574</id><published>2010-04-17T10:25:00.000-07:00</published><updated>2010-04-17T10:26:11.592-07:00</updated><title type='text'>HOMO NEPOS</title><content type='html'>Sempre senti um forte asco diante de uma pessoa que ao se apresentar o faz descrevendo os méritos e credenciais de um parente dito importante. O cidadão chega e diz, por exemplo, sou filho de A, neto de B, meu pai faz tal e qual, e por ai percorre um labirinto de considerações sobre seus ascendentes, mas esquece-se de que não cumpriu o essencial em uma apresentação que é falar de si próprio. Esse tipo indigesto de seres  - cuja filosofia existencialista classificaria sem exageros como abortos existenciais, uma vez que para essa escola o homem só o é em ato, em ação -, tem grande orgulho de seu “pedigree”, de sua linhagem e mantem ares de importância e competência, mesmo tendo obtido emprego público arranjado segundo a prática indecente do nepotismo, que deveria deixá-lo antes triste do que feliz, posto que só atesta a sua própria incapacidade, a incompetência dele para arranjar um lugar ao sol pelos méritos pessoais. Filhinhos, tratar a coisa pública, a res publica, como diziam os romanos, como se fosse a padaria da família é uma coisa que as pessoas inteligentes e qualificadas só podem desprezar. Quantos cargos que deveriam ir para concurseiros estudiosos de plantão não são disponibilizados para os filhotes dos praticantes do nepotismo? Eu tive uma chefa que entrou sem concurso público na Secretaria de Saúde do Estado do Pará e que ao ser inquirida por mim em determinada ocasião sobre como resolver um problema mais sério no setor de trabalho, saiu-se com estas considerações embasadas em sua confiança nepótica: MEU FILHO, QUANDO É QUE VOCÊ VAI APRENDER QUE EU SÓ ESTOU AQUI PARA PAGAR MEUS CARTÕES DE CRÉDITO? O nepotismo é um câncer que precisa ser extirpado do serviço público deste pais, posto que, em geral, é formado por parasitas arrogantes extremante ineficientes, pouquíssimos produtivos que são por saberem-se protegidos pelos papitos, mamitas, vovozitos, que  os colocaram onde encontram-se, talvez após uma análise de seus poucos dons intelectuais, já que invariavelmente em todas as boas famílias há sempre um bocado de encostados, de preguiçosos mentais com inteligências não muito privilegiadas pela natureza. Nas sociedade mais evoluídas o nepotismo causa verdadeiro horror, mas por aqui, no triste trópico de capricórnio, a coisa ainda está viçosa, como uma grande quantidade de ervas daninhas que asfixia os mais capazes que não têm “pedigree”, que estudam 365,25 dias por ano.  Se buscarmos a origem do termo nauseabundo, do vocábulo nepotismo, verificaremos que a origem etimológica da palavra deriva de nepos, que significa neto, descendente ou sobrinho (Dicionário Latino - Ed.Globo), aglutinando-se como nepotismo (nepote + ismo), que traduz-se na "atidude de alguns papas que concediam favores particulares a seus sobrinhos..."(Koogan/Houaiss -Enciclopédia). Eis uma das grandes bandeiras que a banda boa da sociedade brasileira vai ter de enfrentar com todas as suas forças. Como anticorpos que procuram combater uma doença terrível, os mais capacitados e indignados brasileiros devem se unir e acabar com estes parasitas do serviço público. Que seus ascendentes abram uma padaria ou um bazar e os coloquem atrás dos balcões. E se não forem eficientes não estaremos mais preocupados, pois podem usar à vontade suas competências na iniciativa privada. Assim, azar o deles e sorte da coisa pública!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-8833445395642545574?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/8833445395642545574/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=8833445395642545574' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8833445395642545574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8833445395642545574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/04/homo-nepos.html' title='HOMO NEPOS'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-7393754753921068748</id><published>2010-04-11T14:32:00.000-07:00</published><updated>2010-04-11T14:34:06.954-07:00</updated><title type='text'>Homo homini lupus</title><content type='html'>Mês de março último. Pego um táxi e o taxista me oferece um exemplar de um determinado jornal. Passo os olhos por sobre as páginas e encontro quatro fotos que me chamam a atenção: Uma cadela tentando atravessar a BR-316 com seu filhote. Na primeira foto a cadela começa a travessia tendo o pequerrucho no encalço. Na segunda um carro atropela o cãozinho. Na terceira a cadela volta para a margem da estrada com o filhote na boca. Na quarta e última foto a cadela após deixar o pequeno sobre a grama monta guarda como que tentando protegê-lo quando não há mais nada a fazer. Vou em frente na leitura do jornal e encontro como reportagem principal o casal que jogou a menina Izabela do sexto andar da janela do agora sombrio Edifício London (para mim outro Edifício, o Dakota em Nova Iorque, também ficou “carregado” desta aura de peso, de sombra e dor, após o assassinato de John Lennon). Então olho uma pequena mensagem em um canto qualquer da última página do caderno que leio. Ela diz: o homem é o centro de tudo, posto que é a obra máxima da criação. Quase que no mesmo instante o taxista, me vendo concentrado na leitura do jornal educadamente me oferece um segundo caderno do jornal. Eu declino e fico com aquela sensação esquisita de que Luc Ferrin tem plena razão quando nos chama a atenção para uma característica que pertence unicamente ao animal humano, ao homo sapiens: a capacidade do que ele chama de diabólico. O homem é o único animal que tortura, que faz mal consciente de que o faz, de que provoca dor. Suspiro e temendo um assalto, pois enquanto me deixo envolver por estas reflexões o táxi toma um atalho por vielas não muito bem cotadas nas estatísticas policiais da grande Belém, penso novamente na doce cadela, que procurou fazer com seu filhote o que Alexandre Nardoni não conseguiu com sua filha, morta na idade mais bonita, no início de uma trajetória única neste universo imenso e espantoso. Uma lágrima corre no canto dos olhos. Um ardor nos olhos encerra a leitura definitivamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-7393754753921068748?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/7393754753921068748/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=7393754753921068748' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7393754753921068748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7393754753921068748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/04/homo-homini-lupus.html' title='Homo homini lupus'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-3336854362358193255</id><published>2010-04-09T19:18:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T19:20:54.544-07:00</updated><title type='text'>MEMORIZO, LOGO ESTUDO DIREITO!</title><content type='html'>Deve-se ter memória para ser um operador do direito. Só memória. Inteligência é dispensável na maior parte das vezes. Quanto àquilo que os sábios gregos prezavam e que chamamos caráter, bom, isso é coisa que só atrapalha se o neófito quiser progredir. Descartes, o filósofo, tinha, ambas as qualidades para não prosperar nessa disciplina. Era demasiado inteligente e nunca se soube de qualquer desvio que desabonasse sua conduta moral. O discurso vazio e tendencioso de professores e estudantes franceses levou nosso bom sábio para bem longe, para uma direção oposta e assim foi que Descartes detestou o curso de direito e se dedicou à filosofia e, diga-se, a filosofia da certeza do cogito, tão pouco à vontade ficou com o palavreado vazio da retórica de botequim muito comum entre os jurisconsultos e causídicos de plantão. A coisa toda foi tão traumatizante para o feioso de olhos tristes, como, aliás, é todo francês que se preze. Certamente foram angustiantes os momentos que passou entre os que de fato tinham vocação para o direito, ou seja, para o engodo, a astúcia, e outros qualificativos que são os requisitos necessários para se progredir no lodaçal destes senhores com ar de seriedade mais em geral têm forte propensão para a velhacaria. A fuga de Descartes foi um mal para o direito e uma dádiva para a filosofia, pois tivemos com isso o nascimento daquela que é chamada de Filosofia Moderna. Nunca o direito foi tão importante para a história da humanidade! Ora, se tivéssemos nesse universo formado por leis dúbias, nesse espaço com visibilidade de um dia de chuva forte, nessa arena de imprecisão, enfim, nessa coisa que é feita exatamente para fazer progredir economicamente os mais astutos, os memoriosos como o funes de Borges, se tivéssemos, repito, um mínimo de bom senso, de lógica, de transparência, de exatidão no Direito, Descartes talvez nunca tivesse se dedicado à Filosofia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-3336854362358193255?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/3336854362358193255/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=3336854362358193255' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3336854362358193255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3336854362358193255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/04/memorizo-logo-estudo-direito.html' title='MEMORIZO, LOGO ESTUDO DIREITO!'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-1636251492280815383</id><published>2010-02-19T17:14:00.000-08:00</published><updated>2010-02-19T17:15:04.340-08:00</updated><title type='text'>HOMO LIMBICUS</title><content type='html'>Um sujeito sem a mínima formação intelectual, impregnado pela mídia de consumismo até a alma. Ele tem um celular de última geração na cintura, comprado no crédito a duras penas e durante uma promoção. Arrota importância. Sonha ser grande, o que na sua maneira de ver significa ter muito dinheiro para consumir sempre mais. Não quer saber de uma melhor qualificação. Nada de trabalho duro. Sabendo estar no País da impunidade, aplica todo o tipo de golpes para defender uns trocados. Nos finais de semana, senta-se no bar da esquina, toma dez cervejas das mais baratas e solta alguns gases. Vai para casa e, com o sistema límbico ainda mais à tona do que de costume, potencializado pela ingestão de álcool, sonha encontrar a mulherzinha vulgar que descobriu ser igualzinha a ele, medíocre até à medula. Esta, quando o homenzinho chega em casa, tendo as pernas cobertas, assiste novelas e sonha em ser madame, enquanto a pia ainda cheia de louças sujas atrai já seis enormes ratos da vizinhança que se deliciam com os restos do repasto. São agora ao todo, oito ratos debaixo do mesmo teto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-1636251492280815383?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/1636251492280815383/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=1636251492280815383' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/1636251492280815383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/1636251492280815383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/02/homo-limbicus.html' title='HOMO LIMBICUS'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-9043526395989938751</id><published>2010-02-19T17:11:00.001-08:00</published><updated>2010-02-19T17:11:47.383-08:00</updated><title type='text'>PARA O RAFA!</title><content type='html'>Grande Rafa! Jamais siga o triste exemplo do povo de Nova Timboteua que tendo tido a oportunidade de frequentar um curso superior reconhecido nacionalmente pelo MEC resolveram que não iriam continua! Um homem, Rafa, se mede pelos sonhos que tem. Gente pequena, fadada ao fracasso, gente sem sonhos, jamais conseguirá um lugar ao Sol nesta sociedade de mercado. Eu tenho certeza absoluta que você representa uma exceção, um daqueles poucos que conseguirá atingir seus objetivos por ter sonhos, por perseguir um ideal e ter consciência de que a vida não se resume apenas a curtição, que a vida de jovem representa somente, se vivermos o bastante, 25% da duração de nossa trajetória e que, portanto, temos sim, que nos preocuparmos com a idade adulta, com a velhice inexorável que perfazem os outros 75% de nossa jornada por sobre a Terra. Em Nova Timboteua, bares cheios e universidade vazia. Amigo, nós fizemos a nossa parte e certamente continuaremos tentando, pois mais importante do que o ideal, do que o sonho é a persistência, a luta, posto que homem, como dizia, Jean Paul Sartre, SE FAZ EM ATO, EM AÇÃO. Aliás, é isso que representa a famosa fórmula Sartriana “A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA, que deixa muitas pessoas sem noção alguma de existencialismo, bastante confusas.  Bom, a grande realidade da humanidade é que os bons, os seres pensantes e superiores são escassos, de modo que os “cadáveres ambulantes” nem contam! Um abraço!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-9043526395989938751?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/9043526395989938751/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=9043526395989938751' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/9043526395989938751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/9043526395989938751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/02/para-o-rafa.html' title='PARA O RAFA!'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-3678370828737152345</id><published>2010-02-19T16:59:00.000-08:00</published><updated>2010-02-19T17:00:04.214-08:00</updated><title type='text'>O ASTRÔNOMO</title><content type='html'>Eu sou um astrônomo nato. Desde pequerrucho costumava passar bons minutos de pescoço para cima contemplando as estrelas no firmamento noturno. Lembro-me de minha mãe preocupada com minhas horas perdidas na escuridão do quintal e depois das ruas de minha Cidade. Um dia ela me fez prometer que nunca mais eu iria descer do ônibus em uma área boscosa que ficava há cerca de dois quilômetros de nossa casa e onde o céu era de um negro quase como o alcatrão, pelo afastamento das luzes do resto da Cidade. Bom, eu deveria nunca ter contado para minha mãe que fazia esse tipo de coisas por amor às estrelas, pois que sendo ainda maior o meu amor pela Dona Izabel, eu cumpri minha promessa e fiquei sem fitar as estrelas naquele bosque, hoje infelizmente já destruído pelo crescimento da grande Belém. Três outros fatos marcaram a minha vida de astrônomo, na forma de três “astros cabeludos”, os cometas, sim estes astros fascinantes de que nos fala Shakespeare quando nos diz “cometas, erguei vossas tranças e açoitais as vãs estrelas que na morte de Henrique concordaram”. Foram eles o “ Cometa do Século”, Kohoutek, que passou por estas bandas do Sistema Solar aí pela metade dos anos 70, o famoso Halley, infelizmente bem obscuro mesmo nas proximidades do periélio, e mais recentemente o Hale-Bopp, que pude divisar a olho nu e precariamente equilibrando-me por sobre uma velha escada, como uma pequena mancha enevoada pouco depois do ocaso, em 1998. Felizmente, desde 2007, conto com um refrator de 120 mm XLT, da Celestron, que tem sido meu fiel companheiro nas noites frias da Cidade de Peixe-Boi, interior do Pará, onde estou a trabalho, funcionário que sou do Tribunal de Justiça, sendo esta Cidade de clima ameno e noites donas de um friozinho gostoso, com céu mais escuro pela pouca quantidade de poluição luminosa em relação a minha Cidade natal, Belém do Pará. Presentemente (janeiro/2009), tenho acompanhado Vênus como uma “meia-Lua”, a própria Lua com suas crateras e mares fascinantes e outras coisinhas mais. Nós astrônomos pertencemos a um grupo de privilegiados, pois como disse certa feita Don Lago, somos arqueólogos cósmicos e escavamos as ruínas de um universo anterior. Nossos telescópios são máquinas do tempo e a cada noite de céu limpo nos transportamos para as mais longínquas regiões do universo imenso, em busca de nossas próprias origens cósmicas, parte do grande quadro que somos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-3678370828737152345?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/3678370828737152345/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=3678370828737152345' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3678370828737152345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3678370828737152345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/02/o-astronomo.html' title='O ASTRÔNOMO'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-5187682087410548546</id><published>2010-02-19T16:11:00.000-08:00</published><updated>2010-02-19T16:12:47.618-08:00</updated><title type='text'>AMÓS DE AGARTHA</title><content type='html'>Amós nasceu há exatos trinta e sete anos no Mundo de Agartha. Ele não gosta muito de contato humano. De fato, vive a maior parte de seus dias na mais completa solidão, envolto em seus pensamentos e tendo a companhia de seus melhores amigos, os livros. Aliás, passou a considerar mais os livros em fins da adolescência, depois que leu certa máxima de um bom sábio onde este proclamava: “Odeio quem me rouba a solidão sem verdadeiramente me fornecer companhia”. Mesmo agora, mora com pai e mãe, ao contrário de seus outros três irmãos de vinte e um, vinte e oito e trinta e dois anos, que cedo desejaram ser independentes. É pois, o primogênito e o único dos filhos a ficar por ali, na velha casa de família. Fica em casa mais a verdade é que não se sente bem em lugar algum, mesmo aqui, entre os seus, se é que podemos usar esta expressão demasiada familiar com nosso Amós, sempre tão único, independente e solitário. Amós é caseiro apenas porque se vê cercado por dois outros seres, pai e mãe, enquanto está em casa, ao passo que nas ruas, tem a companhia de muitos seres indesejáveis, segundo o jeito de Amós de ver o mundo. Mas esta não é toda a história de nosso bom homem. Amós tem outro segredo. Amós não gosta de ficar com o pescoço doendo. Não gosta de ficar com os olhos pregados no firmamento como os demais habitantes do lugar, ao saírem às ruas, são obrigados por uma lei excessivamente dura para com aqueles que a ousam infringir. De fato, as penas previstas no Grande Código, como é conhecido o enorme livro em que baseiam suas existências os habitantes de Agartha, são deveras atrozes. Por exemplo, se um homem ousa baixar os olhos e assim não mais fitar o firmamento na fração de horas das trinta horas do dia – Agartha gira mais lentamente do que nossa Terra - , em que permanecer em espaço público, deverá ter um estranho artefato, a que chamam no lugar simplesmente de “apoio”, adaptado à cabeça. Este aparelho esquisito é capaz de manter o pescoço flexionado de um ângulo preciso o suficiente para o apenado fitar o céu a vida inteira, sim posto que dois terços das penas ali são perpétuas. É bem verdade que o apenado sempre poderá, mesmo deste modo inusitado, com o “apoio” ao pescoço, fechar os olhos e se recusar a olhar para a abóbada celeste, mas poucos o fazem, posto que diz muito claramente o Grande Código, que quem assim proceder será jogado no mar de Asko, o maior mar local, preso no interior de um saco e tendo como companhia um cão feroz. Mesmo os maiores violadores das lei no mundo de Agartha não ousariam transgredir ao ponto de experimentarem suplício tão medonho. Um dia o pai de Amós perguntou-lhe porque não usava um analgésico padrão fornecido pelo governo de Agartha para o alívio das dores de pescoço dos que caminhavam a céu aberto. (Continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-5187682087410548546?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/5187682087410548546/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=5187682087410548546' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5187682087410548546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5187682087410548546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/02/amos-de-agartha.html' title='AMÓS DE AGARTHA'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-947336019123192359</id><published>2010-02-19T15:24:00.001-08:00</published><updated>2010-02-19T15:25:23.837-08:00</updated><title type='text'>AS PEREGRINAÇÕES DE MESTRE CHICOTE</title><content type='html'>CAPÍTULO I – O DESPERTAR &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu Mestre Chicote, aquele mesmo cheio de ideais nobres na alma. Ora, certa manhã, após despertar de uma noite bem dormida, Mestre Chicote resolveu que iria vagar pelas cidades mais pitorescas deste imenso país que no futuro será o país do futuro chamado Brasil. Sua intenção era tirar da indolência o maior número de pessoas que pudesse. Despertá-las para que passassem a usar mais seus cérebros atrofiados. Isto eu soube das muitas conversas que tive com ele. Sempre fora bastante crítico em relação à atitude adotada pela massa, pelo populacho rasteiro. Se houve qualquer sonho que o inspirasse naquela noite em particular, ele nunca revelou a ninguém, nem mesmo a mim, seu único confidente. Talvez a explicação esteja no elevado número de leituras de nosso Mestre, que, à semelhança do Quixote de Cervantes, perdeu o juízo ao devorar muitas e muitas páginas de boa literatura. É verdade que Mestre Chicote não se atinha apenas a um único gênero, como Quixote fazia com os romances de cavalaria. O Mestre era bem mais eclético e qualquer coisa o interessava. Bom, não é bem assim: ele detestava literatura popular, destas que geralmente se encontram nas bancas de revistas, do tipo romance insosso e assemelhados. Um dia o velho bibliófilo sumiu das vizinhanças e passou tantos anos fora que todos supomos que ele havia morrido em uma localidade afastada qualquer. Alimentamos por tanto tempo esta suposição que ficamos como que extasiados quando numa tarde tranqüila e quente de verão o velho apareceu para abraçar seus amigos. Estava mais magro do que de costume e tinha mudado de roupas! Suas aventuras, sonhos, peregrinações, foram, para a sorte dos seus amigos, cuidadosamente anotadas num velho caderno que o velho tinha sempre por perto. Sim, felizmente o Mestre deixou um diário com suas anotações feitas em várias localidades que visitou e pontos importante para entendermos suas idéias. O Diário caiu-me às mãos como que por acaso há cerca de dois meses e desde então tenho me entretido lendo-o. Volta e meia visito a casa do velho, uma choupana coberta de palha, abrigo perfeito para um sábio desprendido do Mundo de consumo em que vivemos. Por toda a humilde casa há uma quantidade absurda de prateleiras empilhadas como degraus, a biblioteca particular do Mestre contendo muitos livros gastos, jornais velhos e poeira repleta de miseráveis fungos que sempre atacam minhas narinas. Na minha última visita, quando já me preparava para deixar aquele lugar empoeirado e quente, vi por sobre uma cômoda gasta, um caderno borrado pela umidade misturada à poeira dos dias passados ali. Inicialmente pensei tratar-se de uma caderneta de anotações da mercearia, pois como todos os grandes sábios, o Mestre era paupérrimo.Não era. Fiquei encantado quando notei tratar-se de um verdadeiro diário! Comecei na mesma ocasião a lê-lo e, como disse antes, leio sempre. A cada página sou tomado de uma nova passagem surpreendente e , por vezes, cômica. A comicidade das passagens ficam mais por conta de nossos absurdos, de algumas das histórias que fazem de nosso país motivo de chacota dos povos que vivem no mundo civilizado. No decorrer destas linhas, transcreverei algumas das anotações mais interessantes deixadas pelo Velho. Para o leitor atento, ficará sempre a impressão que temos um problema gravíssimo a ser atacado pelas autoridades brasileiras: o problema da educação! Como já dizia Monteiro Lobato, um pais se faz com homens e livros. Temos muitos homens, mas possuímos bem menos livrarias que a Argentina! O Ensino ministrado na rede pública e em especial em algumas localidades mais atrasadas do interior do país, é uma vergonha!  &lt;br /&gt;Disse antes que o velho era muito pobre, mas ressalte-se que, por baixo de suas vestes rotas, o bom velho tinha a pele sempre muito bem cuidada. Gostava de tomar banho numa freqüência acima da média para um sábio de seu porte. Não era como Sócrates que não cuidava muito bem de sua higiene pessoal. Na verdade era muito comum o velho nos receber molhado, envolto em uma velha toalha que de tão gasta mal tinha tecido. Felizmente sendo o Mestre excessivamente magro, não tinha muito o que enxugar e assim a toalha ia dando para o gasto.&lt;br /&gt;A primeira cidade que o mestre visitou chamava-se Burroquara. Dela, trataremos em outro capítulo.   &lt;br /&gt;_____________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS PEREGRINAÇÕES DE MESTRE CHICOTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAPÍTULO II - MESTRE CHICOTE VISITA BURROQUARA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Burroquara foi a primeira “cidade” que pus os pés em minha nobre missão. Como todos que entendem um pouquinho de Tupy sabem, quara é o vocábulo indígena que corresponde em português a buraco, toca, esconderijo, morada. Bom, desnecessário dizer o que significa burro. Soube que o nome deste animal fora dado por um grupo de moradores do local após observarem que naquela cidade progresso era uma palavra que não constatava no dicionário. Afirmavam que o atraso só poderia ser causado por uma espécie de maldição: havia uma cabeça de burro enterrada no local desde muito tempo, muito antes até da fundação da cidade. Como os moradores gostavam de dizer aos quatro ventos, uma cabeça de burro é capaz de amaldiçoar toda a terra localizada em volta da sepultura do animal. Eu, de minha parte, logo observei que não existia apenas uma única cabeça de burro por ali, mas cerca de dez mil delas, e todas ainda pertencentes a animais bem vivos! Ora, dez mil eram os habitantes do lugar e a se julgar pelo comportamento do populacho, a ignorância era de fato a única responsável pelo atraso local. Andei por aquele “paraíso” por longos vinte dias e pude observar que era uma cidadezinha típica do Norte do Brasil, feia de matar, suja, de povo indolente, elite grossa, arrogante e mal-educada, tendo o urubu como a ave símbolo, uma vez que esse animal era constantemente alimentando por porcos feirantes que jogavam restos de carnes, ossos, entranhas de peixes ao redor do mercado municipal, atraindo essas aves constantemente e provocando uma enorme concentração desses bichos que mais se parecem com párocos de interior na sua indumentária. As negras aves passavam as manhãs brigando pelos quitutes deliciosos e brigando apenas menos do que as mulheres típicas habitantes do lugar pelos parcos homens que se dispunham a trabalhar, pois a filosofia do lugar, como me foi dita por um dos moradores mais antigos da Cidade se resumia a esta bela preciosidade: “seu moço, em nossa Cidade nós temos um dito que diz que se você consegue pagar sua conta de água, sua conta de luz e botar um pouco de comida na mesa, está tudo muito bem”. Os poucos empregos públicos da Cidade giravam em torno da Prefeitura local e assim é que todos os homens que tinham um mínimo de senso de responsabilidade esperavam que o Prefeito, sujeitos estúpido e autoritário, empregasse os cerca de dez mil habitantes que moravam no centro do Município! Evidentemente que tal era impossível mas o povaréu, com sua bizarra aritmética, não pensava assim e constantemente, nos pontos de maior ajuntamento de gente, se escutavam as pragas desferidas contra o principal mandatário da Cidade. Esse por sua vez, como bom politiqueiro brasileiro, sabendo que a plebe vende a alma ao diabo por muito pouco, tinha na distribuição de cestas básicas a sua principal obra assistencial, para não dizer assistencialista, pois que esta palavra não existia no vocabulário da gente simplória e com vocação para a mendicância, o grosso do eleitorado daquela Cidade. O Prefeito, sabedor do pouco valor daquela gentinha, vivia humilhando os que lhe procuravam para pedir algum favor paternalista, só mostrando alguma consideração quando tinha absoluta certeza que o pedinte era seu eleitor fiel. Como não poderia deixar de ser, aqui também se tinha na primeira dama a secretária de assistência social, com o que a família do prefeito tinha seus recursos aumentados sobremaneira. Eis o negócio rentável em que se transformou a arte da política em nosso “País”. Que retrocesso, quando comparamos com a origem da política no mundo grego! &lt;br /&gt;Mas retornemos ao populacho que sempre me diverte bastante! Pouco depois de ter chegado em Burroquara, me dirigi a um pequeno comércio local e pedi um copo de água. A vendedora olhou-me dos pés à cabeça e me disse: “ não tem água não, vagabundo!”. Fiquei ainda por ali, sob os olhares atentos da proprietária e vi duas senhoras conversando. Uma delas dizia: não, eu não vou ajudar aquela fulana. O que é que eu ganho com isso, me diz? Tudo bem que ela é minha amiga, mas...” Basta! Gritei. E você ainda diz ser amiga da tal senhora? Acaso não conheces a bela verdade expressa na máxima: “ A verdadeira medida de um homem é como ele trata alguém que não lhe tenha utilidade alguma”? As duas correram aos gritos e a dona da mercearia me pôs dali aos safanões! E quanto à visão de mundo do povo? O povaréu deste lugar está certamente no mesmo nível da plebe medieval. Muitos na cidade acreditam em simpatias absurdas e não sabem que lá fora, no mundo civilizado, de há muito que existe uma coisa chamada estado de direito. Ora, por aqui ainda impera a lei do mais truculento. Todos os dias eu vejo as pessoas violando os direitos do próximo como se fosse a coisa mais banal e quando você tenta explicar algum rudimento de cidadania, ética, política e coisas assemelhadas, invariavelmente os seres bizarros que se dizem humanos, saem-se com uma atitude grosseira ou de desdém puro e simples, pois pensam que não se deve dar ouvidos a um sujeito mal vestido e sem dinheiro, como eu. Neste aspecto, devo fazer justiça, são iguais a maioria dos indivíduos do mundo moderno: Eis toda a modernidade destes habitantes! Os cidadãos gregos de 2.500 anos atrás certamente eram de melhor qualidade. Todas as gerações deste lugar medonho estão contaminadas. Temos duendes e demônios por aqui saltitando por sobre as fogueiras, temos entidades maléficas pululando às costas dos intrigantes habitantes do lugar, sempre desconhecedores do mínimo de moral. Espíritos negativos dançam felizes ao verem a amizade inexistir nesta terra triste e escura, enquanto sussurram nos ouvidos do grosso da população, normas morais oportunistas de um estranho utilitarismo, da conhecida lei da oportunidade, do aproveitar a ocasião para tirar algum proveito do próximo. Epicuro ficaria muito feliz ao passear por estas bandas por uns poucos dias e ver como um grupo humano pode neste início de século XXI ser tão superior aos gregos da antiguidade clássica ao ponto de não conhecerem o maior de todos os bens que é a amizade, na harmonia que pode existir entre pessoas que tomam as outras como fim e não apenas como meio. Falta educação e falta amor por aqui. Sociedade deveras bizarra essa que une tecnologia de ponta a seres humanos tão medíocres. Por sobre as casas vejo uma profusão de antenas voltadas para modernos satélites em órbita do globo, vejo televisores, vejo celulares, vejo alguns automóveis bem razoáveis, mas não consigo achar um pouquinho apenas que seja de cidadania, de moral, de amizade, de prazer nas atividades culturais, de bom gosto, de sensibilidade. Em todas as direções em que olho apenas um terrível vazio, seres com um enorme vácuo em suas cabeças, em seus corações, em suas almas. Monstros criados pela mídia, pelo descaso dos políticos, pela indolência, geradores de uma abominável inversão dos valores mais básicos que fazem um homem superior aos animais. Flutuo em agonia por sobre um oceano de sistema límbico e penso com absoluta convicção que o lagarto que balança a cabeça excitadamente enquanto sobe pelo caule de uma árvore em minhas proximidades, vale muito mais que algumas pessoas desprezíveis que vegetam por aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-947336019123192359?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/947336019123192359/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=947336019123192359' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/947336019123192359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/947336019123192359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/02/as-peregrinacoes-de-mestre-chicote.html' title='AS PEREGRINAÇÕES DE MESTRE CHICOTE'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-6092315763095093467</id><published>2010-01-23T16:23:00.000-08:00</published><updated>2010-01-23T16:24:45.610-08:00</updated><title type='text'>MONSIEUR MONTAIGNE E O SENHOR BORIS</title><content type='html'>Em um dos seus célebres ensaios, Michel de Montaigne nos fala de essências e acessórios. Considerem um bom homem nu. Considerem um politiqueiro de plantão nu (aqui há uma vantagem: sem cuecas, sem onde esconder a grana!). Atribuam notas aos dois analisando não atributos físicos e econômicos. Supondo que o júri seja formado por julgadores diferentes do Senhor Boris, quem levará a melhor? Somos essências ou acessórios (supondo que não sejamos Sartrianos concvictos!)? Creio ter sido Hesíodo quem nos legou ainda na era clássica grega a bela preciosidade expressa nos termos: NENHUM TRABALHO É DEGRADANTE, A INÉRCIA SIM! Agora sabemos que o Senhor Boris nu não nos diz muito. É verdade que o agora crucificado jornalista tem a favor de si a imensa maioria de nós brasileiros, de nós ocidentais de nós globalizados, de nós HOMO CONSUMIDORUS. Eu conheço muita gente que mesmo humilde valoriza a opinião das pessoas em torno apenas por posição social. É um coisa que não se resolve apenas por uma educação formal. Exige-se uma mudança de paradigma! Eles costumam dizer: Bom, se tem grana, deve saber o que está dizendo. E pensar que muitas dessas pessoas dizem venerar um carpinteiro que não tinha uma moeda nos bolsos e que cometeu a sandice de morrer pela humanidade! Certo mesmo estava o filósofo-imperador romano Marco Aurélio quando, no século II de nossa era escreveu que o verdadeiro deus dos homens é o dinheiro! Mas eu cá com meus botões, prefiro a máxima oriental que reza que no final do jogo dama e peões voltem para a mesma caixa.Talvez fosse o caso de freqüentarmos mais assiduamente os cemitérios e deixássemos os shopping vazios em pelo menos uma data nacional. Seria algo como o dia nacional de confraternização. Neste dia mesmo a Senhor Boris conseguiria apertar a mão de um gari e reconhecesse que somos passageiros pequenos que muitas vezes perdemos para passageiros ainda menores, como vírus e bactérias. Somos vermes como aqueles de que nos fala Voltaire em Micrômegas. Mas por sabermos sermos vermes temos um trunfo sobre os outros pequerruchos. Podemos melhorar a sociedade humana a um nível tal  que aceitemos diferentes peças no tabuleiro jogando harmonicamente e aceitando a inexorável realidade da caixa onde encontraremos pousada comum rumo ao limbo dos perdidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-6092315763095093467?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/6092315763095093467/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=6092315763095093467' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/6092315763095093467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/6092315763095093467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/01/monsieur-montaigne-e-o-senhor-boris.html' title='MONSIEUR MONTAIGNE E O SENHOR BORIS'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-8148052905942326587</id><published>2010-01-23T16:22:00.000-08:00</published><updated>2010-01-23T16:23:35.812-08:00</updated><title type='text'>BORIS, O SENHORZINHO</title><content type='html'>NO ÚLTIMO DIA DE 2009, o País foi surpreendido por uma declaração do Senhorzinho Boris Casoy, no Jornal da Band, que vazou apenas por uma falha do técnico de áudio sonolento que deixou milhares de brasileiros testemunharem palavras ofensivas aos garis proferidas pelo “Boca Mole” do Boris logo após ser levada ao ar uma vinheta onde dois garis desejavam a todos um feliz ano novo com muito dinheiro no bolso. Milhares de internautas protestaram em diversos sites. Em um blog do qual na me lembro o nome, uma internauta de prenome Carolina enfatizou que Boris classificava as pessoas apenas pelo dinheiro que possuíam. Carolina mandou bem! Ela disse tudo quando tocou na maneira equivocada em que os cartesianos de plantão (que infelizmente são maioria) classificam uma pessoa: DINHEIRO. Se o velho Sócrates (o da sicuta , não o ex-jogador), andasse, por exemplo, nos estúdios onde o Senhor Boris costuma “trabalhar dignamente”, certamente seria desprezado pois o “mendigo tagarela” tinha elevada sabedoria mas pouquíssimo “dindin” nos bolsos. O Senhor Boris (que é na verdade o protótipo do brazuca médio) é uma velho de quase quatrocentos anos nas idéias, pois é incapaz, rezando pelo paradigma cartesiano, de ver além, o grande quadro, a interligação das coisas, pois minha gente, não há lixo mais nauseabundo do que o lixo de gente de dinheiro! Ora, pobre raramente desperdiça carne jogando no lixo, é da classe média em diante que o lixo começa a feder, e deixo aqui de fora o lixo do senado, das câmaras de deputados federais, estaduais, das câmaras de vereadores municipais, do nepotismo e outras coisinhas mais. Se um dia os garis brasileiros fizessem como fizeram aqueles garis italianos há não muito tempo atrás, talvez o senhor Boris passasse a ver que tinha razão Anatole France ao notar que o mundo é feito de pequenos grandes homens anônimos, de um sem-número de profissionais que exercem suas funções com dignidade, honra, seriedade. De homens que volta e meia devolvem aos verdadeiros donos pacotes de dinheiro ao encontrá-los em meio aos lixões do País, como inúmeras vezes vimos os garis fazerem. Será que o Senhor Boris já noticiou alguma vez na vida fatos semelhantes protagonizados por nossos políticos? Só falta agora  o Senhor Boris passar a estigmatizar os judeus e as vítimas de pólio, com o que terá pelo menos atingido a si próprio com sua cicuta. E pensar que estes arrogante de cabeça de vento tendo o vácuo de permeio são formadores de opinião nesse País ainda de Casa Grande e Senzala?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-8148052905942326587?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/8148052905942326587/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=8148052905942326587' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8148052905942326587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8148052905942326587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/01/boris-o-senhorzinho.html' title='BORIS, O SENHORZINHO'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-3658846935511284541</id><published>2010-01-17T13:44:00.000-08:00</published><updated>2010-01-17T13:47:06.807-08:00</updated><title type='text'>O TERREMOTO DO HAITI E AQUELE OUTRO DE LISBOA  EM 1755</title><content type='html'>Recentemente o terremoto que se abateu sobre o miserável povo do Haiti me fez lembrar de outro sismo que deixou marcas profundas na história universal: o terremoto de Lisboa de 1755, ocorrido em 1º de novembro de daquele ano, dia de todos os santos. Correu à época o rumor de que Deus havia escolhido aquele dia de igrejas cheias, velas acessas e fervor cristão para julgar Lisboa como antes fizera com Sodoma e Gomorra no relato bíblico. Esse terrível cataclismo lisboeta abalou profundamente o otimismo da filosofia de Leibnitz que concebia o mundo como o melhor dos possíveis que poderia ter sido criado por Deus (o que gerou uma ótima sátira por parte de Voltaire em seu Cândido). Voltaire refletiu durante muito tempo sobre a tragédia portuguesa que seria, a seu ver, a tragédia de todos nós, posto que aquilo tudo mostrava ao ser humano atento e racional que não havia sinais de Deus despontando no horizonte. Éramos frágeis criaturas como todas as outras que existiam e existiram por sobre o planeta, sujeitas ás intempéries e vicissitudes da mãe natureza. Em uma palavra, havia impessoalidade nisso tudo. As forças naturais davam as cartas e se estivéssemos no lugar errado no temo errado, seríamos tão vítimas quanto outrora os trilobites o foram nos soterramentos pré-históricos de eras passadas revelados pelos paleontólogos em suas escavações. Pois agora nestes primeiros dias de deslizamento de terras em Angra e terremoto em Porto Príncipe, eu me pego no mesmo tipo de onda de terror e calafrios que se abateu sobre o autor de Micrômegas, vendo a nossa pequenez diante de forças tão descomunais e impessoais. Não há desígnios. Não há nada além do bom e velho acaso. Em algum lugar há talvez dez quilômetros de profundidade houve uma fricção de placas tectônicas e o resultado foi a assustadora montanha de cadáveres por sobre as ruas e sob os escombros de ruínas retorcidas de concreto. O erro dos pobres haitianos consistiu apenas neste: estavam no lugar errado, no tempo errado. Quem leva a sua vida tranquilamente longe de tais calamidades e morre na serena velhice que tem o dom maravilhoso, quando muito avançada, de nos afastar da percepção do fim que se aproxima, que se de por feliz. Volta e  meia a natureza esta nos fazendo lembrar que calamidades como essas podem atingir qualquer um de nós, mesmo aqueles que tiveram a sorte de nascer em um país com poucos sismos como o Brasil. Nossos soldados e a pediatra Arns estavam ,como os habitante da Capital haitiana, naquela situação espaço-temporal negativa. Quem tem ouvidos, ouça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-3658846935511284541?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/3658846935511284541/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=3658846935511284541' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3658846935511284541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3658846935511284541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2010/01/o-terremoto-do-haiti-e-aquele-outro-de.html' title='O TERREMOTO DO HAITI E AQUELE OUTRO DE LISBOA  EM 1755'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-5998215863267422463</id><published>2009-01-30T17:05:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T17:06:26.932-08:00</updated><title type='text'>SOBRE BOÉCIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um homem está preso. Caiu em desgraças ao defender um amigo no senado. Acusado de favorecer os interesses do novo Imperador de Constantinopla sobre o Ocidente comandado pelo iletrado Ostrogodo Teodorico, ele passa dois longos anos no cárcere. Sabe que irá morrer dentro em pouco. Desespera-se. Onde obter conforto para esta guinada da fortuna?  Recorre à filosofia que personificada numa bela mulher, aparece-lhe na prisão e consola-lhe os últimos dias. Compõe uma obra belíssima e que tem o título sugestivo de “A Consolação da Filosofia”. Após muito tempo de desconforto, seus dias iluminam-se. Sente que a Filosofia foi sempre sua melhor amiga e deixa-se executar serenamente, lembrando-se do exemplo anterior do velho Sócrates. Este homem é Boécio, nascido em Roma no ano 480 de nossa era e executado em Pávia no ano 524. Antes de cair em desgraça ocupara importantes cargos de governo, tendo sua obra influenciado posteriormente figuras como Dante, na Divina Comédia. Sua filosofia retoma os princípios de Platão e dos estóicos e fixa a paz e a virtude como únicos caminhos da felicidade (Anotações Filosóficas de Um Livre Pensador, por Eu Mesmo)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-5998215863267422463?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/5998215863267422463/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=5998215863267422463' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5998215863267422463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5998215863267422463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2009/01/sobre-boecio.html' title='SOBRE BOÉCIO'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-2492145071452669689</id><published>2009-01-30T16:56:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T16:58:07.781-08:00</updated><title type='text'>DE COMO A BOA LITERATURA PODE NOS ENSINAR BEM MAIS QUE A BÍBLIA!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em vez de perder seu tempo lendo a Bíblia, leia O CAÇADOR DE PIPAS. Tem exatas 365 páginas e mesmo um preguiçoso e anêmico leitor poderá ler a razão de uma página por dia do ano. Junte-se a isso o fato desse belo livro ensinar muito sobre amor, amizade, justiça e outras coisinhas fundamentais para a vida em sociedade. Não gaste seu precioso tempo aprendendo que um anão não poderá sacrificar ao senhor Deus de Abraão ou que manchas na pele são um estigma terrível e insuperável. Também não aprenda nada sobre a justiça divina pois ela é deletéria e tão injusta que ousa punir mesmo o pobre burrico que for possuído sexualmente por seu dono e coisas que o valha. Olhe no velho testamento e veja que digo a verdade. Zoofilia tem dupla punição segundo Jeová: para o ser humano praticante do ato e para o animal que foi inocentemente usado pelo libidinoso! No mais, e me dirijo aqui ao evangélicos, se querem dar vosso dinheiro aos pastores para que fiquem dizendo bobagens aos seus ouvidos, depositem na minha conta e prometo que farei pelos senhores uma prece diária junto ao meu bom amigo pastor João, aquele mesmo fundador da Igreja Invisível, imortalizado pelo Raul Seixas! Saibam os senhores que recentemente um amigo de São Paulo me enviou um e-mail com a seguinte dica: 83% da bancada evangélica em 2006 estava implicada na malversação de recursos públicos! Eis a maior prova de ateísmo senhores! Certo mesmo estava o imperador-filósofo romano Marco Aurélio quando no século II de nossa era proclamou que o verdadeiro Deus dos homens era o dinheiro! Pastores atentai para minhas palavras: São Paulo, tão bem denominado por Ernest Renan de o 13º apóstolo, quando visitava diferentes comunidades para suas pregações mentirosas tinha pelo menos um mérito já que costumava dizer nessas ocasiões que quem não trabalha não come. Assim era que este pregador exercia nas diferentes cidades para prover seu sustento o ofício de tapeceiro.  Senhores vendedores de esperança, arregaçai vossas mangas e como Paulo arrumai um emprego decente. Parai de pregar essa vão mitologia judaica e ganhai vosso dinheiro de maneira tão digna quanto o carroceiro que vende carvão nas ruas da minha cidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-2492145071452669689?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/2492145071452669689/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=2492145071452669689' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/2492145071452669689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/2492145071452669689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2009/01/de-como-boa-literatura-pode-nos-ensinar.html' title='DE COMO A BOA LITERATURA PODE NOS ENSINAR BEM MAIS QUE A BÍBLIA!'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-7503552432054579456</id><published>2009-01-30T16:50:00.001-08:00</published><updated>2009-01-30T16:50:55.027-08:00</updated><title type='text'>DAS IDEALIZAÇÕES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sempre tive a impressão de que o que torna as estrelas exatamente interessantes são as enormes distâncias que nos separam delas. O que dista muito pode ser melhor idealizado! Por vezes essas distâncias implicam mesmo em fenômenos que a maioria das pessoas custa entender. Um namorado aponta uma estrela para a amada e diz-lhe: dou aquela estrela a você! Ela, emocionada, agradece. Mas o rapaz não sabe que aquela estrela que escolheu dentre tantas outras no firmamento nem ao menos existe mais. Culpa de duas finitudes: a das estrelas que sucumbem com o passar das eras e da medida da velocidade da luz. Mas noite após noite a bela deusa celeste resplandece e marca a história daquele casal. Os dois enamorados suspiram e fazem juras de amor. Os dois percebem que há um toque de mistério nas luzes que vêem por sobre suas cabeças em uma noite límpida de verão. Coisas inatingíveis parecem nos excitar e despertar conteúdos do mais profundo inconsciente. Certa feita Nietzsche fez uma observação que até hoje causa polêmica nas mais cultas feministas de plantão. Disse ele que as mulheres pareciam com veleiros. Ao longe uma bela e poética imagem, cortando o azul oceano. De perto, o casco cheio de avarias, as velas em frangalhos, detalhes desinteressantes que só percebemos com a aproximação do barco. Certamente nosso sábio não guardava muito sucesso nos seus relacionamentos com o sexo oposto e isso se devia em certa medida à construção mental de modelos inspirados por uma cultura greco-romana em grande parte também idealizada. Popularmente muitos homens costumam dizer até que só se conhece uma mulher no momento em que se coabita com ela. Machismos à parte, parece mesmo é que temos uma enorme propensão a idealizar as coisas. Quantas vezes não nos surpreendemos com o desmanchar de castelos de areia bem diante de nossos olhos? São os castelos da idealização. Lembro-me como me causou desconforto a descoberta, na adolescência, de que o amigo de escola que mais me inspirava a estudar, por sua organização, intelecto, aplicação, havia se tornado um ladrão perigoso, tendo, ao cabo de uns poucos anos, este escriba mesmo presenciado o colega em ação, assaltando uma pobre e indefesa senhora no comércio da Capital. Até hoje penso nessa absurda coincidência: logo eu que o havia idealizado tanto assistir aquela cena deprimente! Por muito tempo pensava que parte da má fama daquele antigo colega de infância devia-se a calúnias. Mas então, como disse, eu mesmo pude ver que em algum lugar meu colega havia se perdido. Foi o maior dos castelos que vi ruir diante de meus pés nas areias da vida. Pessoas sensíveis, amantes das artes, seres que choram facilmente. Eis aqueles mais propensos ao mal da idealização! Felizmente, se é que isso serve de consolo, sei de grandes homens que também andavam sonhando, criando castelos bem maiores dos que os meus! Que castelos criados por nós, homens simples, poderiam superar as verdadeiras pirâmides de Platão? Jamais alguém idealizou na história da humanidade como o maior dos discípulos de Sócrates! Pelo menos tenho uma vantagem sobre este grande homem, pois que ao criar todo um mundo ideal, o das idéias, o gênio da antiguidade grega idealizava, por extenso, mesmo o esterco!        &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-7503552432054579456?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/7503552432054579456/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=7503552432054579456' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7503552432054579456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7503552432054579456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2009/01/das-idealizacoes.html' title='DAS IDEALIZAÇÕES'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-8883489908768115455</id><published>2009-01-30T16:44:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T16:45:18.158-08:00</updated><title type='text'>RESPOSTA A UM INTERNAUTA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ousada criatura, nunca perdi um amigo pelas minhas posturas, em geral, nada convencionais. Muito pelo contrário, uma vez que meus discursos esquizóides só afastaram os diferentes de mim. Em uma palavra, só correram para longe deste escriba com as mãos por sobre os ouvidos aqueles que não tinham valor no campo das idéias. Tal fato tem alguma analogia com a seleção natural. Os mais fortes, os que sabem que a vida deve ser vivida numa eterna escalada (e numa escalada sente-se sempre muitos calafrios!), estes ainda hoje estão à minha volta e percorrem trajetórias suadas em suas existências. Sabem que não devemos temer as adversidades, manter ressentimentos no coração e coisas afins, mas apenas transformar a indignação em energia para a superação de problemas. O sobre humano, que alguns iletrados ousaram comparar ao super homem dos quadrinhos, é todo aquele indivíduo que, por exemplo, acha coisas como as pregações do sofista crucificado inibidoras do verdadeiro progresso humano e que rir gostoso quando estar diante de um ser medíocre que escala montanhas usando de um helicóptero! Um exemplo deste último caso, muito comum em nosso País e didático para nossas considerações, é o que ocorre com os filhinhos de papai que ocupam cargos públicos sem participarem de concursos, usando a prática do nepotismo nauseabundo. Sem luta não há mérito. Não somos super frangos. Somos indivíduos onde pulsa a vida, a vontade de potência e andamos como que se deliciando e dando gostosas gargalhadas sempre que tropeçamos em um cadáver ambulante. Falamos verdades duras pela sua significância, mas qual a verdade deste tipo que não é dura como o diamante? Mas se a verdade é dura como esta apreciada pedra preciosa é também igualmente possuidora de um brilho intenso. Falamos verdades. Não cacarejamos. Frangos cacarejam. Para nós, fraco, entorpecido, límbico, cadáver ambulante e frango são palavras sinônimas. Como não nos consideramos fracos, não concordamos com a sabedoria popular quando esta diz que um homem prudente deve dizer a verdade e sair correndo. Em absoluto! Nós preferimos dizer a verdade e nos deliciar com a reação de nossos opositores. Nós até fazemos da arte de provocar um ofício muito apreciado! Também temos coragem suficiente para dizermos que não conhecemos certezas absolutas. Ora, não era por outra razão que Nietzsche admirava tanto Pilatos, colocando-o como o único personagem realmente importante dos evangelhos. Uma única indagação proferida pelo Procurador Romano da Judéia, cativou o Filósofo e esta era a seguinte: o que é a verdade? Em síntese, nós preferimos debater idéias e não temos um manual com a receita de tudo, ponto por ponto. Infelizmente, raciocinar é trabalhoso e as pessoas comuns são, em geral indolentes. Correm com as mãos nos ouvidos e nunca nos dão argumentos que nos provem que estamos completamente equivocados. Apelam para, por exemplo, a Bíblia (este que é o livro mais vendido e menos lido do mundo) e com isto cometem o erro gravíssimo de tentar provar a inocência do réu usando apenas de suas próprias declarações, coisa inaceitável em qualquer tribunal, e em especial no tribunal rigoroso das idéias. Concluímos estas considerações dizendo que alguém tinha que pensar neste mundo. Então resolvemos começar! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-8883489908768115455?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/8883489908768115455/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=8883489908768115455' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8883489908768115455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8883489908768115455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2009/01/resposta-um-internauta.html' title='RESPOSTA A UM INTERNAUTA'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-6877771393887983000</id><published>2009-01-30T16:38:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T16:39:55.459-08:00</updated><title type='text'>O GORDUCHO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eis um tipo especial. Merece toda a nossa veneração, pois ele é o estereótipo do brasileiro comum, límbico por excelência. O brasileiro médio que, digam o que disserem, não vale o chão que pisa. O gorducho adora entrar nas filas da previdência em dias de pagamento de velhinhos só porque sabe que alguns dos pobres e simplórios pensionistas revelam a senha para qualquer um esperto que se aproxime fingindo estar ali apenas para ajudar. Como bom estelionatário que é, ele percebe de longe a melhor ocasião para atacar, para dar o bote. Sua mente é incrivelmente ágil na elaboração de suas falcatruas. Quando tem uma idéia para aplicar no reto de um incauto, seus olhos adquirem um brilho intenso e um êxtase quase orgástico percorre o seu corpo em forma de piparote. Bom, como me considero um ser humano justo, sou obrigado a admitir que o sujeito roliço tem também um lado demasiado cristão. Ora, eis que outro dia o gorducho foi capaz de fazer uma boa ação. A coisa se deu assim: uma velha alcoólatra pediu-lhe um real dizendo-lhe que precisava pagar a passagem de um ônibus e visitar um parente doente. Coisa de alcoólatra na fissura da cachaça, a tal da síndrome da abstinência. Evidentemente o nosso bom “171” não acreditou numa palavra da cachaceira, posto que a conhecia de há muito das vizinhanças, sempre freqüentando biroscas, mas após ponderar um pouco, chegou a conclusão de que deveria sim lhe dar o real. Um amigo do patife ficou estarrecido ao vê-lo praticar aquele ato de caridade cristã. O gorducho explicou-lhe os motivos: você acha que tomei mesmo uma atitude louvável? Acha que dar um real para uma velha alcoólatra morrer mais cedo de cirrose hepática pode ser encarado por esta perspectiva, a da bondade? Não, meu amigo, eu apenas ajudei a velhota a pular do precipício! Conto outra do suíno. Certa feita um cidadão enfurecido numa briga de rua, matou outro pobre a socos e pontapés. De fato o homicida era um lutador de rua, daqueles que adoram filmes “cabeças” estrelados por astros como Steve Segal, Charles Bronson, Chuck Norris e outros afins. O gorducho resolveu então procurar o pai do assassino, um velho tão sensível quanto a cria, já que lamentou mais a prisão do Júnior do que o ocorrido com a vítima espancada até a morte por um motivo fútil e que deixou  mulher e dois filhos menores completamente desamparados. Pouco depois do crime, nosso herói chegando na casa do velhote, ofereceu-se para, pasmem, livrar o homicida da cadeia em pouco tempo. O pai do acusado, sendo analfa de pai e beta de mãe, entrou na onda do patife obeso e ao cabo de três meses, tinha perdido a bagatela de mil reais e o filhinho homicida, é claro, continuava na cadeia. Quando o velho acordou para o fato de que o gorducho não era um advogado habilitado (apesar de agir com a ética tão peculiar a estes profissionais adoráveis!), já era tarde. O gorducho é de fato a maior prova de que a impunidade que grassa em nosso triste país é capaz de potencializar ainda mais criaturas vis e límbicas. Brasília que o diga!  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-6877771393887983000?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/6877771393887983000/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=6877771393887983000' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/6877771393887983000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/6877771393887983000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2009/01/o-gorducho.html' title='O GORDUCHO'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-5170475457788603363</id><published>2009-01-30T16:35:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T16:36:02.895-08:00</updated><title type='text'>HOMO LIMBICUS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para quem me perguntou o que quero dizer com HOMO LIMBICUS&lt;br /&gt; Não falo exatamente do homem moderno, pois que por definição, tudo o que é límbico é primitivo! O que chamo HOMO LIMBICUS é uma criatura que, independentemente de classe social, é demasiadamente reptiliano para o meu gosto apurado. Ele quase nunca faz uso das camadas mais modernas do cérebro humano. É quase somente instinto. Fica sonolento diante de uma bela sinfonia. Procura sempre em tudo um uso prático. Por exemplo, um dia apontei Antares para uma jovem e ela me indagou: para que servem as estrelas? A imaginação que leva à arte e tudo o que é mais sofisticado e belo na criação humana é produto das camadas superiores de nossas mentes. Os seres reptilianos como o HOMO LIMBICUS, são basicamente invólucros vazios, tendo o vácuo de permeio. Estas criaturas podem andar de carro importado ou de ônibus. Não importa. Há seres deste tipo em todas as camadas sociais. No final, tanto os que andam de BMW como aqueles que usam transporte coletivo são da mesma espécie degenerada. Prefiro o iguana que costuma passear em meu quintal, pois ele faz exatamente o que se espera de um iguana. Ora, ele até balança a cabeça quando observa um intruso em seu território e parte para o confronto. Há nele algo que diz: mostre que é um iguana e iguanas enfrentam outros iguanas intrusos. Ele não argumenta, apenas ataca. É da natureza dos iguanas agirem assim. Eles não têm camadas superiores de cérebro. Homens têm potenciais que estão todos ali, no interior da caixola e apenas precisam abrir as portas certas para criarem valores superiores e transformar o mundo em algo melhor. Disse antes que o HOMO LÍMBICUS existe em todas as camadas sociais. De fato, alguns dos maiores exemplares de HOMO LIMBICUS que conheço são tratados de doutores e estudaram nas melhores escolas das elites. São profissionais com formação superior, altos salários e que adormecem ouvindo brega! Eles de fato só têm sensibilidade em suas genitálias! Parece que apenas a memória os leva em frente em seus estudos e realizações profissionais, enquanto os exemplares deste tipo de homem que não conseguem salários melhores têm também a memória inferior. Apenas isto os diferencia. Aos olhos do vulgo, os “doutores” são uns sábios e ganham melhores salários por uma superior inteligência, por uma sabedoria mais elevada do que o comum dos mortais. Grande engano! Esta visão decorre de valores invertidos, valores que o próprio HOMO LIMBICUS criou. Aqui, salários melhores implicam em sabedoria. Pobre Sócrates! Se vivesse hoje o velho feio e sujo seria visto como um homem de rua, destes que “enfeitam” as grandes e sujas cidades de nosso País. De fato o velho parteiro de idéias seria inquirido sobre o para quê daquilo tudo. Em especial, muitos perguntariam: se és tão sábio velho, porque és tão pobre? Ele, HOMO LIMBICUS, patina por cima desta lama de valores rasteiros como um caranguejo satisfeito com o seu belo mangue. O mangue dos valores límbicos, vulgares, rasteiros e superficiais. Estou convencido que os homens por sobre a Terra são de dois tipos fundamentais: os acordados e os sonolentos (límbicos). Estes últimos infelizmente são a maioria esmagadora. Há, dificultando o acordar desta multidão, a mídia, esta megera que se fosse dominada por seres despertos, faria milagres. Não é assim que ocorre e o que se vê é apenas uma preocupação dos diversos meios de comunicação (pra não dizer manipulação!), em transformar os incautos em meros consumidores de artigos em grande parte não essenciais. Quem tem ouvidos, ouça: não deixem suas crianças em frente à televisão por muitas horas. Dêem aos pequeninos bons livros infantis e estimulem suas camadas sofisticadas da mente. Não precisamos de crenças religiosas.Já temos estas em demasia! Precisamos com urgência de crenças em valores humanos superiores e universais. A ética precisa ser encarada no mesmo nível que o sagrado. Há que se erguer templos à Deusa ética e transformar os valores de tal sorte que um dia nossos sucessores no planeta se surpreendam ao ouvirem histórias de um tempo passado, um tempo de homens que colocavam o dinheiro acima de tudo, da própria vida humana. Para começarmos, certamente um primeiro passo poderia ser termos vergonha de pegar, por exemplo, na mão de um político ladrão. Construindo uma nova escala de valores, experimentaríamos, como diria Lulu Santos, a cura da espécie. Não mais falaríamos de HOMO LIMBICUS.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-5170475457788603363?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/5170475457788603363/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=5170475457788603363' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5170475457788603363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5170475457788603363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2009/01/homo-limbicus.html' title='HOMO LIMBICUS'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-5861002413152290303</id><published>2009-01-30T16:23:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T16:27:10.349-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;O DEUS DA IGREJA UNIVERSAL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o Deus da Igreja Universal disse: vai e implantai uma igreja em cada cidade onde a economia gere muito dinheiro! Não percais teu tempo e muito menos o meu com cidades pobres! Levai a palavra do Senhor a cada um que possa contribuir com dinheiro, que é de fato a personificação de mim mesmo. Misturai todos os cultos que o brasileiro cultiva para atrair o vulgo, por exemplo, inventai o banho do Pai das Luzes que o amante da umbanda será simpático a mim; da mesma maneira, falai em encosto e pronunciai o nome de Satanás mais vezes que o relés Deus Bíblico; distribui azeite ordinário comprado na mercearia da esquina e dizei que é azeite sagrado trazido diretamente de Israel; contratai alguns ímpios e dizei que dêem testemunhos quando minha igreja estiver repleta de iludidos ateus. Sim, meu séqüito será feito de ateus, pois como posso chamar pobres criaturas que entram num templo apenas esperando prosperidade econômica, que são apegadas ao dinheiro e não pensam em absolutamente nada transcendental? Levantai as estatísticas do faturamento de cada filial de minha empresa, digo, Igreja, e transferi para o norte do Estado do Pará aquele pastor que não atingir o mínimo de grana em caixa. Daí dinheiro e mulheres gostosas para aquele pastor empreendedor que iludir melhor o povaréu ateu e colocai no mais alto posto o mais competente dos “171” , aquele cujo dedo atrofiado simboliza a minha marca.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-5861002413152290303?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/5861002413152290303/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=5861002413152290303' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5861002413152290303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5861002413152290303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2009/01/o-deus-da-igreja-universal-e-o-deus-da.html' title=''/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-4626975246278356760</id><published>2007-09-14T09:36:00.000-07:00</published><updated>2007-09-14T09:38:58.659-07:00</updated><title type='text'>SEMPRE O POPULACHO!</title><content type='html'>Atualmente verifica-se cá perto, na cidade de Capanema, uma polêmica envolvendo uma certa professora que cansada de lidar com uma classe demasiado pornofônica, resolveu que talvez fosse interessante e didático abordar a origem de certos palavrões como um trabalho escolar, valendo, segundo dizem, pontos para cada aluno que se empenhasse na empreitada. Recentemente este caso foi abordado no Programa Fantástico, da Rede Globo e ali, com votação aberta para os telespectadores, apurou-se um total de 75% de apoio àquela professora. Muitos pais de alunos envolvidos se sentiram horrorizados e resolveram levar a coisa toda para a polícia. Ouviu-se ainda na matéria do programa global a opinião de alguns intelectuais e todos pareceram favoráveis à professora, não vendo mal algum no fato em si, afinal, como um deles colocou, autores consagrados da “fina flor do Lácio”, fizeram o uso freqüente de expressões ditas chulas, muito em voga na boca do populacho. Há, evidentemente, que se considerar o contexto em que tais autores usaram as expressões conhecidas por palavrões. Uma coisa é se usar de uma palavra vulgar em um belo texto literário para, por exemplo, expressarmos a fala de algum personagem grosseiro e outra completamente diferente é o seu uso no dia-a-dia. Quer me parecer em toda essa polêmica que transparece a principal característica do gênero humano: a hipocrisia, essa nossa amiga tão velha quanto a própria história do homem por sobre a Terra. Se algumas pessoas têm culpa nessa coisa toda certamente que são os país dos jovens que fazem uso costumeiro de um vocabulário típico do populacho, indicando que algo não vai bem nas conversas dentro mesmo de casa. Nessa como em outras situações típicas do mesmo jaez, falta fundamentalmente leitura em casa, o cultivo de um vocabulário que só adquirimos com os bons autores. E não me venham colocar a culpa nas autoridades dizendo que bons leitores são formados pelas escolas. Eu, modéstia à parte, sou um bibliófilo que fui levado aos livros por uma propensão natural, por um quê de curiosidade pela estrutura do pensamento que se revela na linguagem. Sempre fui fascinado pelo milagre que nos dotou de um pensamento, de uma capacidade de expressarmos de uma maneira tão complexa o que nos passa dentro da mente. É bem verdade que entre os pensamentos e as palavras vão alguns parsecs de distância, mas ainda assim podemos ver mirabilis nisso. Nenhuma escola me inoculou esse vírus benéfico! Talvez nisso tudo como em outras tantas coisinhas na vida, há que se ter uma certa vocação, um distanciamento do homem médio, uma superioridade mesmo que nos coloca no topo de uma cadeia de intelecto. Mas certamente que um pouco de educação pode adentrar mesmo dentro de cérebros de homens comuns e é por isso que existe toda a ciência da Pedagogia. Se assim não fosse, eu estaria negando todo o processo educacional. O fato é que propensão para a cultura somada à educação são duas vigas mestras para a construção de um homem melhorado. Desse binômio, certamente o primeiro termo é de longe o mais importante. Como disse antes, a hipocrisia de pessoas que tendo criado os filhos entre expressões vulgares e depois se arvoram em sentirem-se pretensamente ofendidas com uma professora que essencialmente observando o constante uso de palavreado vulgar de alguns de seus alunos tomou para si a tarefa de educá-los, de torná-los pessoas melhores, mais preparadas para a vida competitiva que o mundo capitalista nos coloca, me causa espasmos estomacais. Em uma palavra a mestra fez o que alguns dos pais muito provavelmente não fizeram. Sobre hipocrisia senhores, falo de cátedra, pois que já fui vítima em um certo interior do pobre Estado do Pará, de coisa parecida quando tentei educar um grupo de pseudo-estudantes. Quase fui linchado na ocasião! Mais o que esperar de jovens que vivem em uma terra onde se proíbe uma equipe de filmagens de uma grande rede nacional de televisão de trabalhar dentro da lei, alegando-se que os repórteres não tinham AUTORIZAÇÃO LOCAL PARA FILMAREM? Eis o material humano com que em geral contamos para a construção de um País!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-4626975246278356760?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/4626975246278356760/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=4626975246278356760' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/4626975246278356760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/4626975246278356760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/09/sempre-o-populacho.html' title='SEMPRE O POPULACHO!'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-3807613129028158356</id><published>2007-06-25T06:22:00.000-07:00</published><updated>2007-06-25T06:39:39.878-07:00</updated><title type='text'>O HOMEM, ESSE CRIADOR DE ORDEM!</title><content type='html'>Um homem diz ter tido uma visão e isso transforma sua vida. Esse é São Paulo, o mais aguerrido dos apóstolos. O homem que nunca fez parte do grupo dos doze mas foi o principal responsável pelo crescimento do cristianismo entre o gentio, particularmente por ter excluído os não judeus de obrigações absurdas prescritas pela Lei Mosaica e em especial da circuncisão, que entre os gregos e romanos era encarada como uma mutilação pura e simples. Na verdade penso que a circuncisão é a única prática da Velha Lei que tem alguma coisa de interessante, uma vez que é medida higiênica de alta eficácia. Mas deixemos de digressões! O essencial aqui é a mudança de atitude de Paulo, passando de perseguidor do cristianismo a um de seus grandes difusores no mundo antigo, aquele a quem Renan dedicou todo um belo livro intitulado “Paulo, o 13º Apóstolo”. Pode-se dizer que o velho judeu baixinho, calvo e narigudo encontrou aqui finalmente uma razão pela qual lutar e dar sentido à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um segundo homem diz ter tido contato com seres evoluídos tripulantes de naves espaciais originárias das plêiades. Ele passa vários anos de sua vida recluso no interior da Suíça esperando o próximo contato. Afirma conversar com visitantes vindo do aglomerado aberto das Plêiades, localizado em Taurus e que é conhecido pitorescamente no nordeste brasileiro como “a galinha e os sete pintinhos” e que pode ser visto atualmente (mês de janeiro), na direção leste logo ao cair da noite. Esse homem é Billy Méier e sua vida a partir dos contatos que jura ter tido passa a ter os ufonautas como uma verdadeira obsessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um terceiro homem perscruta as estrelas nas altas noites e tira milhares de fotografias das galáxias mais distantes. Ele faz isso ao som de sua outra paixão: A ópera. Tendo as obras dos grandes nomes desse gênero musical como única companhia, ele observa o firmamento e faz uma descoberta que o imortaliza na história da astronomia: quase todas as galáxias que vê e fotografa no seu telescópio afastam-se de nós como se tivessem repulsa por nossa insignificância. Esse homem é Alan Sandage e suas observações mostraram-nos que vivemos em um universo em constante expansão. A partir daqui, Sandage, como se costuma dizer, não quer outra vida. Está em êxtase. Pensa ter descoberto algo profundo no comportamento do sistema de mundo. Vive feliz. A ópera oferece a trilha sonora perfeita para este romance particular da astronomia protagonizado pelo velho de ar severo e absorto, um americano com ares de lord inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um quarto homem escapa de um acidente em um ônibus. Todos os demais passageiros, totalizando 43, morrem. Ele fica pasmo. Durante os 67 dias que passa em um hospital reflete e conversa com muitos visitantes. Houve um milagre, todos dizem e ele parece concordar, com os movimentos da cabeça ainda dolorida. Ao sair do hospital, passa a freqüentar regularmente um determinado culto religioso. Sente-se mais forte. Acha que tem a proteção de uma espécie de grande pai. Suspira aliviado e seus dias agora parecem ter mais luz. Esse é X, um cidadão comum que prefiro deixar no anonimato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um quinto homem sente-se desconfortável com o mundo que o cerca. É um grande admirador da cultura clássica. Vê harmonia, ordem, elegância, virilidade, poder nos idos tempos greco-romanos. Ao refletir em seu isolamento no alto dos alpes suíços, ele suspira e acha que teve um vislumbre de um eterno retorno de todas as coisas. Nunca se explica. Espera que seus iguais entendam sua mensagem sem muito esforço. Pensa ser são em um mundo medíocre e repleto de criaturas débeis e desprezíveis. Sonha com o homem sobre-humano, mas esbarra no seu cotidiano com homens de carne e osso repugnantes. É descrente mas gosta imensamente do cristão Dostoievski. Chega a se definir como dinamite. Por onde anda causa um certo desconforto nos presentes. Um dia ele vê um cavalo sento açoitado, corre na direção do pobre animal, abraça-o, tem um surto psicótico. Esse homem é Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sexto homem vê em tudo notas fiscais. Ele responde por um setor financeiro em uma repartição pública. Ele gosta de fazer seu trabalho sozinho. Ele quase não pode esperar o momento de se despedir de seus colegas de trabalho, pois pode assim ficar sozinho e se debruçar mais sobre seus cálculos. Ele faz horas-extras quase todos os dias. Não pensa em remuneração. Gosta do que faz. Ele tem cerca de 46 anos, não possui filhos e sua namorada sabe que deve dividi-lo sempre com o trabalho. Já está acostumada. Numa tarde no escritório ele sente-se mal. Enfarta. Cai. Está morto. Morre com a expressão tranqüila de quem tem o dever cumprido. Morre como viveu a maior parte de sua existência: trabalhando. Poucos colegas de trabalho acompanham o féretro. A direção geral do órgão em que trabalhava nem ao menos manda um representante ao enterro. Ele já não é mais necessário. Por que tentar cativar quem não produz mais? Esse homem era um contador muito aplicado e responsável que conheci há muitos anos. Também aqui, vou preferir o anonimato e não direi quem era nosso herói da burocracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sétimo homem já está maduro. Fez cinqüenta anos há poucos dias. Nunca antes havia pensado que poderia se tornar pai. Não gostava da idéia. Ele até ficava deverás descontente quando conhecia uma nova mulher e sabia ser ela fértil. Seus romances com mulheres nessas condições sempre terminavam ainda no início. Em absoluto conseguiria viver em uma casa onde se ouviria o choro de uma criança. Então um dia algo de muito estranho acontece: ele se emociona ao ver um lindo bebê que passa em suas proximidades. Ele entende que as fases de sua vida apenas apresentavam um certo retardo. Sempre fora assim. Agora, aos cinqüenta anos, é finalmente chegada a hora da paternidade tardia. Ele se divorcia da mulher estéril que tanto parecia amar. Ele conhece uma jovem com a metade da sua idade. Ele passa a ter especial atração por mulheres mais novas, como que por efeito de um inconsciente que lhe diz serem as mulheres mais novas mais promissoras em matéria de maternidade. Ele gera um filho. Ele vive com o filho no colo. Ele quase não deixa a mãe pegar na criança. Lamenta não poder amamentar a criança ele próprio. Sente a continuidade no filho. Parece ter encontrado a eternidade. Não tem mais depressão. Sorrir mais facilmente. O mundo se enche de cores. Parece que do caos surgiu a ordem, mesmo tardiamente. Esse homem é o melhor pai do mundo, mora na capital e não vou expor seu nome. É de fato o terceiro que conheço ou conheci nesta lista e cabe, portanto, o anonimato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia continuar listando um sem-número de homens e mulheres e mostrar suas idiossincrasias, mas também suas lutas, seus sonhos e até mesmo seus disparates. Mas o que quero mostrar aqui é apenas um grande padrão que pode ser visto em todos os seres humanos, quer sejamos ateus ou profundamente espiritualistas: a busca de sentido para nossas frágeis existências. Todos os exemplos vistos anteriormente têm em comum a grande caminhada em busca do preenchimento de nossas vidas. Precisamos criar mitos, verdades nas quais acreditemos, pelas quais lutemos e empunhemos bandeiras. Somos nós que daremos sentido às nossas existências. A crença pode ser religiosa, mas também pode ter aspectos inusitados como no atingir a eternidade em nossos filhos ou na redenção da humanidade através de seres de outros mundos mais adiantados. Se há algo de absoluto sob o firmamento das fixas esse algo é a busca incessante de uma meta que nos torne mais confiantes de que a vida tem realmente um sentido. No fim das contas, feliz é todo aquele que descobriu algo em que acreditar com todas suas forças, com o coração. Eu, de minha parte, acredito profundamente que sou apenas uma mosca que tem especial predileção em pousar na sopa alheia e zumbizar nos ouvidos moucos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-3807613129028158356?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/3807613129028158356/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=3807613129028158356' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3807613129028158356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/3807613129028158356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/06/um-homem-diz-ter-tido-uma-viso-e-isso.html' title='O HOMEM, ESSE CRIADOR DE ORDEM!'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-5587302159121585952</id><published>2007-06-20T10:25:00.000-07:00</published><updated>2007-06-20T10:26:52.133-07:00</updated><title type='text'>Do Livro "O Herege Responde" (Por: Livre Pensador)</title><content type='html'>Você acredita em Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa inquirição pode ser vista por dois ângulos diversos, o da tradição e o da observação do mundo que nos é colocado por nossa capacidade de observação. Em relação ao primeiro aspecto, posso dizer que a relatividade das diversas crenças religiosas sempre me causou um grande desconforto. Por toda parte deuses diferentes, por toda parte tradições absurdas, guerras religiosas, intolerância, certezas embasadas em arreia movediça e fábricas de quimeras e monstros horrendos. Por toda parte uma casta privilegiada, a dos sacerdotes sempre aliados com os mais poderosos, com as elites. Claramente temos aqui um modo de sobrevivência de parasitas, um sugar de sangue dos mais simplórios, um perpetua-se por sobre as carcaças dos incautos. Ora, há basicamente dois tipos de homens: os que enganam e os que se deixam enganar, numa proporção que estar sempre longe da relação 1:1, posto que para cada sacerdote, por exemplo, há milhares de seres de medo, seres que só conseguem viver se existir alguém que pense por eles, que os conforte. Parece haver aqui uma espécie de carência paterna que necessita de figuras como Deus e o sacerdote para supri-las. Há também, é claro, muito de medo, de insegurança pelo fato mais horrível e mais marcante de nossas trajetórias por sobre o mundo: a morte. Não há como escapar dessa viagem a lugar nenhum, de voltar a sermos simples átomos, sem pelo menos uma ponta de desespero. A morte certamente estar, mesmo que inconscientemente, se revelando nos nossos atos do dia-a-dia, em nossos passos pela vida. Ela até mesmo aflora volta e meia e, saindo de nosso mais profundo inconsciente nos dá sinais de que se aproxima e nos alcançará logo. O outro aspecto relevante da presente indagação diz respeito à simples observação de fatos, de fenômenos ao nosso redor. Dê uma simples caminhada e verá o quanto de crueza existe no mundo. Vida destruindo vida, seres famintos de outros seres, e o mais desconcertante para o observador arguto colocado pelos bocados de provas da falta de importância no grande quadro natural de nossas próprias existências humanas. Quando penso nessas coisas sempre me ocorre o seguinte exemplo: um cidadão vem caminhando e logo adiante, para evitar pisar em uma minúscula formiguinha pisa mais adiante e não nota que nesse local há uma camada de limo escorregadio. Ele caí, bate a cabeça e morre de imediato. Quem enxergará providência, na acepção de “ A suprema sabedoria com que Deus conduz todas as coisas”, numa situação dessas? Certamente apenas aqueles que têm necessidade desse tipo de engodo para apaziguar seus demônios interiores que a todo tempo batem em suas cacholas e lhes sussurram: há nesse acontecimento um quê de caos que não sei não! Aliás, se tem uma coisa onde os sacerdotes sempre mostraram criatividade essa coisa é exatamente a engenhosa invenção de respostas para os críticos inteligentes. A própria providência como esboçada acima não me deixa mentir. Se um fiel começa a duvidar de certas colocações do padre ou do pastor, para ficar só no campo dos cristãos como exemplo, o sacerdote sempre poderá lançar mão do conceito de providência ou, em casos mais específicos, citar uma ou outra passagem dos livros ditos sagrados inventadas exatamente para aplacar os demônios do bom raciocínio e contentar aquele que ousou duvidar. Quanto a engolir o placebo e se sentir melhor, isso ficará por conta de quão arguto é o inquiridor. Por muitos séculos a Igreja combateu a boa ciência e os sacerdotes sabiam exatamente o que combatiam: mais conhecimentos, menos crenças infundadas. Após o iluminismo e graças a um grupo de livres pensadores, o combate começou a ser ganho pelo conhecimento. Evidentemente que instalou-se uma outra religião mesmo entre cientistas avessos às tradições religiosas: a própria ciência! Isso mostra uma necessidade latente em todo ser humano, uma necessidade de crer em algo, como rezava o célebre filósofo que disse certa feita que o homem prefere mesmo crer em nada a nada crer! Caminhamos já há alguns anos para um estágio onde o cientista paulatinamente parece substituir o sacerdote de outrora, pelo menos entre os homens cultos. Apesar de não pretender aqui me aprofundar nessa questão, tenho observado com certa sorriso nos lábios o mesmo fervor religioso entre sacerdotes e cientistas. Mesmo sabendo que todo o nosso conhecimento científico é apenas uma aproximação da realidade das coisas, é muito comum o cientista se deixar levar por dogmas científicos por vezes tão religiosamente que talvez um dia cause inveja mesmo entre fanáticos religiosos! Bem ponderadas as coisas, parece que o homem estar fadado a embarcar sempre na canoa furada do absoluto, mesmo que tente partir de portos diferentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-5587302159121585952?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/5587302159121585952/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=5587302159121585952' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5587302159121585952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/5587302159121585952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/06/do-livro-o-herege-responde-por-livre.html' title='Do Livro &quot;O Herege Responde&quot; (Por: Livre Pensador)'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-6603311210357996183</id><published>2007-06-20T10:20:00.000-07:00</published><updated>2007-06-20T10:22:01.997-07:00</updated><title type='text'>DUAS IMPRESSÕES</title><content type='html'>IMPRESSÕES DE UM SANTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ O furto é punido pela Vossa lei, ó Senhor, lei que, indelevelmente gravada nos corações dos homens, nem sequer a própria iniqüidade poderá apagar. Ora que ladrão haverá que suporte com gosto outro ladrão, se até o rico não perdoa ao indigente que foi compelido ao roubo pela miséria? E eu quis roubar; roubei, não instigado pela necessidade, mas somente pela penúria, fastio da justiça e pelo excesso de maldade. Tanto é assim que furtei o que tinha em abundância e em muito melhores condições. Não pretendia desfrutar do furto mas do roubo em si e do pecado.&lt;br /&gt;Havia, próximo de nossa vinha, uma pereira carregada de frutos nada sedutores nem pela beleza nem pelo sabor. Alta noite, pois tínhamos o perverso costume de prolongar nas eiras os jogos até essas horas, eu com alguns jovens malvados fomos sacudi-la para lhe roubarmos os frutos. Tiramos grande quantidade, não para nos banquetearmos, se bem que tenhamos provado alguns, mas para os lançarmos aos porcos. Portanto, todo o nosso prazer consistia em praticarmos o que nos agradava,pelo fato do roubo ser ilícito.” (Confissões; Santo Agostinho; p-50; Editora Universitária São Francisco)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IMPRESSÕES DE UM HEREGE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das minhas experiências mais excitantes (e também apavorantes!), ocorreu quando eu contava nove anos de idade. De há muito que alguns coleguinhas de rua me convidavam para furtar jambos no quintal de uma velha senhora, a Dona Maria, cheia de artrites, eles costumavam dizer-me, que de tão dura e dolorida, jamais conseguiria nos alcançar se fóssemos surpreendidos em flagrante delito. Um belo dia, resolvi deixar-me levar pelas tentações dos outros peraltas do grupo e então partimos para cometer não apenas um, mas dois delitos: invasão de domicílio e furto. Era uma manhã ensolarada, com um brilho todo especial naquele céu de um azul intenso. Talvez porque estivesse naquela ocasião demasiadamente excitado, esse brilho nunca se desvaneceu nos meus sonhos de menino. Enfim, pulamos o cercado da propriedade da velha e partimos direito para o maior dos jambeiros, repleto que estava dessas frutas carnudas capazes de deixar qualquer pequerrucho com água na boca. Éramos neste ato lamentável, três garotos. Um ficaria de sentinela ao pé do jambeiro e cuidaria de avisar eu e outro comparsa de uma possível aproximação da velha Maria. Lá, encima da enorme árvore, a visão era, para uma criança, o verdadeiro paraíso! Para todos os lados em que olhássemos, a vermelhidão de uma copa carregada de jambos maduros e prontos para serem devorados ali mesmo. Comemos até não agüentarmos mais e jogamos uma outra grande quantidade de frutos para nosso amiguinho sentinela. Antes tivéssemos sido um pouquinho mais egoístas! Parece que fizemos isso com tanto carinho e desprendimento que nosso sentinela se distraiu tanto comendo os gostosos frutos embaixo da frondosa árvore que se esqueceu de sua nobre missão: o coitado foi surpreendido e espancado a vassouradas pela velha que estava verdadeiramente possessa conosco. Logo o sentinela bateu em retirada aos gritos entre uma vassourada e outra. Eu e o outro, lá de cima, olhávamos aterrorizados a velhota gesticulando e empunhando a vassoura com mais bravura que um legionário romano no campo de batalhas. Sabíamos que não tínhamos uma saída milagrosa, mas ao mesmo tempo, penso que nos deixamos inconscientemente levar pela fantasia, essa amiga das crianças especialmente nos momentos difíceis. O fato concreto é que preferimos ficar por algum tempo na segurança dos macacos. De vez em quando a completa percepção da dura realidade: tínhamos que passar pela velha que não parecia em nada com uma paciente cheia de dores nos ossos! Talvez a raiva tenha feito a velhinha esquecer das dores que todos na vizinhança faziam questão de comentar. Ao cabo de uma boa meia hora gasta com toda espécie de discussão onde tentávamos discernir uma estratégia de retirada menos traumática possível, eu e meu comparsa finalmente descemos da árvore resignados, debaixo do maior espancamento de nossas vidas! Não sei como conseguimos atravessar aquela cerca tão rapidamente e sem um único arranhão! Lembro-me que após este incidente passei uns bons dias em casa, quietinho, quase sem por a cara na janela, temendo o aparecimento da velhota. Mas, estranhamente, não temia mais nenhum tipo possível de agressão física por parte da velhota. O que temia era uma repreensão de pai e mãe pela minha conduta se a velha os contasse o ocorrido. A velha, felizmente, nunca contou para meus pais a história e isso me causou o maior dos alívios! Não que meus pais fossem de espancar os filhos. Em absoluto! Em toda a minha vida eu só lembro de ter apanhado uma única vez e o castigo viera pelas mãos de meu pai e por um conduta certamente execrável de minha parte. Naquele momento o que se passava na minha mente de criança era apenas o medo da reprovação de dois pais exemplares, esse tipo de medo que dói bem mais que vassouradas! Minha santidade começou a evidenciar-se por esta época. Bem, pelo menos até a próxima temporada dos jambos... (Memórias Memoráveis, Livre Pensador)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-6603311210357996183?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/6603311210357996183/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=6603311210357996183' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/6603311210357996183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/6603311210357996183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/06/duas-impresses.html' title='DUAS IMPRESSÕES'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-4493200490132714219</id><published>2007-06-06T11:43:00.000-07:00</published><updated>2007-06-06T11:44:42.762-07:00</updated><title type='text'>NOTAS DE UM ESQUIZOFRÊNICO NOCTÍVAGO III</title><content type='html'>Enquanto seres abjetos se arrastam por aqui, eu de minha janela observo Vênus brilhando em Gêmeos. Se fosse um crente numa espécie de grosseira astrologia, acreditaria que atualmente os céus proclamam um momento em minha vida de grande amor, pois que segundo os chamados astrólogos os que nasceram no período do ano em que nasci, são geminianos e Vênus é tradicionalmente associada com a divindade grega responsável pelo amor. Mas o que tenho experimentado mesmo, e num crescendo vertiginoso, é a pesada consciência das limitações da vida, da luta incessante da vida para persistir, mesmo que em desespero. Bom, salvo os suicidas, em geral tentamos continuar levando as coisas como se lá adiante não estivesse o fim de tudo, o abismo profundo da noite eterna, da noite sem volta. E enfrentamos o dia-a-dia, se temos uma sensibilidade extrema, com a exata magnitude da vacuidade, da falta de sentido. Talvez porque muitas vezes procuramos o sentido da vida nos lugares errados, ou quiçá nosso maior equívoco, o engodo supremo da natureza não seja exatamente este, de supor um sentido onde ele não existe. Parece que ao final das contas temos que relembrar pequenos bocados da filosofia do velho e rabugento pai do imperativo categórico e indo além, num vôo de imaginação, saltando da filosofia para as labutas da vida, acreditarmos que assim como presenteamos o universo com tempo e espaço também, “de quebra”, projetamos algo que batizamos como sentido. É sempre a mesma história: um cérebro que organiza as coisas ao redor, que empresta ordem ao que não tem. Parece que nossos cérebros funcionam como imensas lanternas, de um tipo especial é bem verdade, que projeta enormes fachos de tempo, de espaço e de sentido ao que vemos ao redor. Quando essa lanterna não anda bem das baterias, as coisas começam a desandar e temos os episódios de certo Esquizofrênico Notívago escrevendo suas notas, mais como um desabafo de quem não conta com muita gente para ouvi-lo ou que cansou os poucos interlocutores que possuía a um ponto em que se vê sozinho, olhando o firmamento e perdendo alguns minutos da vida que se esvai contemplando Vênus em gêmeos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-4493200490132714219?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/4493200490132714219/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=4493200490132714219' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/4493200490132714219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/4493200490132714219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/06/notas-de-um-esquizofrnico-noctvago-iii.html' title='NOTAS DE UM ESQUIZOFRÊNICO NOCTÍVAGO III'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-7518007146826802302</id><published>2007-03-07T17:56:00.000-08:00</published><updated>2007-03-07T17:59:00.488-08:00</updated><title type='text'>NOTAS DE UM ESQUIZOFRÊNICO NOCTÍVAGO - II</title><content type='html'>Eu não gosto de pensar muito sobre as paredes internas de uma casa. Qualquer casa. Há muito de sentimentos impregnados nas paredes, e quase sempre sentimentos funestos. A casa que moro, por exemplo, há doze anos foi palco de uma morte por câncer. A velha paciente ainda deve rondar por aqui, especialmente porque ela e seu marido de longos anos construíram isso aqui, tijolo por tijolo. Como? Não acredito em fantasmas, mas acredito em energias ainda desconhecidas pelo homem. Muitas coisas não podem ser vistas mas estão por aí, como que suspensas no ar. E a nós, que temos longas antenas, elas incomodam, causam um desconforto difícil de descrever, uma pesada angústia. Algo me diz que na estrutura interna da matéria alguma coisa sobre os pensamentos e imagens temporais permanecem impregnando o tecido do espaço-tempo. Um dia distante algum físico será capaz de projetar um equipamento que possibilitará a captura de sons e imagens guardadas em certos elementos, como estruturas cristalinas, especialmente nas situações de intensa emoção. Mas cá estou e olho para todas as paredes e vejo os sonhos perdidos, as preocupações diárias, as labutas incessantes dos moradores ao longo dos anos. Onde estão eles com seus estresses diários, seus mundinhos particulares? Quase todos viraram estrume, quase tudo perdido! Ouço vozes, risos, lamentos, sussurros como que aprisionados nas paredes em volta. Vejo o casal de velhos chegando da feira. Vejo os filhos “tomando a bênção”. Vejo os netinhos subindo no velho cajueiro que existe ainda hoje no quintal. O cão abanando o rabinho e querendo participar da brincadeira na árvore. Um dos netinhos resmungando com o cão dizendo-lhe: Saí que cão não sobe em árvore, gatos é que sobem! Promessas de futuro nos netinhos, indiferença nos filhinhos, ocaso e artrites nos velhotes. E artrite doída ainda mais nas noites friolentas daqui. O velho, com o seu sorriso desprovido de dentes e de aspecto cansado, puxando a coberta e a velha reclamando, dizendo para o velhote deixar de ser atentado, ter pena dela que sofre tanto com os rigores do inverno. Sim, as noites por aqui são frias para os padrões do Norte. Há até uma brumazinha charmosa que volta e meia desce pelas ruas da Cidade com o avançar da madrugada. Para um velho reumático não há nada de poético nesta bruminha, e ele só pode lamentar e esperar ansiosamente pelo amanhecer. Mas devo falar das marcas deixadas pelos moradores de outrora nas paredes. Há uma espécie de marcas de sujeiras em pontos estratégicos da casa, nas proximidades dos velhos armadores, certamente causados pelos garotos ao balançarem-se nas redes. Ao todo já encontrei sete, contando com as deixadas no pátio e atualmente tenho tentado limpá-las. Pés muito pequenos e sujos, como deve ser um pé de moleque. Mas essas não são minhas marcas preferidas! A que gosto mais é a de um lábio impresso em uma das janelas. Até hoje não tive coragem de limpá-la! Não posso deixar de render respeito a esta marca. Uma mulher pensando no amado deixou a impressão de seus lábios ali. Era uma mulher jovem, certamente! Sim, era uma mocinha enamorada que imaginou na vidraça a face do amado. É por isto que ainda não consegui limpar esta marquinha. Ela representa um momento de paz no caos que deveria representar a vida deste grupo de pessoas todo em um espaço relativamente pequeno. Mais não é só. Ela simboliza fundamentalmente a luz da vida se fazendo ao lado da morte que chega inexoravelmente. Por vezes eu vejo até mesmo a mocinha beijoqueira conseguindo arrancar um pálido e sofrido sorriso da velhota doente. Não, eu não conseguiria tirar este símbolo da vida de minha janela! O que gostaria de fazer era apagar todos os vestígios do sofrimento, da morte. Penso agora na morte do cãozinho. Ele foi envenenado pelo vizinho cristãozinho e, vejam os senhores, por latir demais! Mas o que se pode esperar de um cão? Cães latem, estúpido ignorante!. O cãozinho enquanto agonizava deixou muitas e profundas marcas na casinha onde morava. São marcas de agonia, de dores atrozes nas entranhas. Mas eu não consigo me aproximar da casinha. Só uma vez olhei e mesmo assim, de relance, no dia em que explorei a casa com minha senhoria, a filhinha da velhota que, passados muitos anos, agora me aluga a casa. Tive vontade de perguntar a minha senhoria se a marca dos lábios eram dela, mas me contive e não fiz a pergunta. Acho que gosto de imaginar uma menina nova fazendo a marca. Minha senhoria já está balançada, não me fala muita coisa ao coração e também declina rumo à escuridão eterna, como acontecerá inevitavelmente com todos nós, pobres seres frágeis e doentes, vilipendiadores da natureza. Diabos! Alguma coisa na minha caixola me obriga a voltar ao caso do cãozinho envenenado. Alguém já parou para pensar que os males grassam pela natureza e em especial os males feitos pelo sórdido gênero humano? Quem foi que disse que os homens são naturalmente bons?  Não foi certamente apenas Rosseau, esse cretininho suiço de vendas nos olhos! Em absoluto! É muito antiga essa quimera que associa o que é essencialmente humano como algo bom. Costuma-se dizer, por exemplo, quando um homem pratica uma caridade “meu Deus, como ele é bom, como é humano esse fulano!”. Tudo o que posso fazer quando ouço tais sandices é gargalhar a plenos pulmões e gargalhar não é muito comum para um homem de antenas, um homem que vê o mundo em toda a sua crueza, em todos os seus horrores e horrores gerados em grande parte, como disse antes, pelo homenzinho, esse anão que foi criado à imagem e semelhança do erro metafísico. Onde quero chegar? Ora, o que aquele verme estúpido fez com o cãozinho não foi outra coisa senão o tipo de conduta que deve se esperar desses idiotas que vivem arrotando que se deve escravizar a natureza por ela ter sido criada para nosso deleite, para nosso interesse. Saibam que o assassino do cãozinho se dizia crente, temente a Deus! Cada vez que vejo um desses seres abjetos que dizem aos quatro cantos: “olhem, sou humano, sou a obra prima da criação do bom Deus, nada existe superior a mim próprio, rendamos, pois, nossas homenagens ao todo-poderoso que nos concedeu o direito de aqui estarmos contemplando esse universo maravilhoso de incontáveis estrelas!”, tenho vontade de receitar para esse animal estúpido, para esse doente metafísico, muito simplesmente que vá mais vezes ao cemitério! Santo remédio! Nós deveríamos ir mais vezes a este salutar passeio, olhar para todas aquelas sepulturas e voltarmos a nos admirar ao espelho depois dessa tour, supondo que sejamos corajosos o suficiente! Penso mesmo que deveríamos reservar um dia por mês, pelo menos, para um culto ao mortos, mas não que acredite em uma continuação da vida depois da morte, mas apenas como uma maneira de tornar as pessoas mais humildes, mais integradas ao grande quadro da natureza, não mais nos considerar acima dos outros seres e nos curarmos do mal metafísico. Mas temos um grande consolo no fato de sermos parte da natureza e a natureza, como disse antes, é essencialmente atroz. Não foi outra a causa das reflexões do sábio Epicuro, de seu interesse pela problemática do mal. Ora, o problema do mal tem desconcertado muitas gerações de filósofos. Supõe-se que Epicuro, um barbudinho simpático que viveu entre 342-270 a.C., tenha dado a formulação clássica nos termos seguintes: Ou Deus quer remover o mal deste mundo, e não pode; ou ele pode, e não quer; ou ele não tem o poder nem a vontade; ou ele tem tanto o poder como a vontade. Se ele tem a vontade, e não o poder, isso demonstra fraqueza, o que é contrário a natureza de Deus. Se ele tem o poder, e não a vontade, isso é malignidade, e é não menos contrário à sua natureza. Se ele não pode nem quer, ele é tanto impotente quanto maligno, e consequentemente não pode ser Deus. Se ele tanto quer quanto pode (e somente isso se harmoniza com a natureza de Deus), então de onde provém o mal, ou porque ele não o impede?" Tal foi o raciocínio do bom filósofo, dito obscuro apenas por aqueles que não têm antenas! O mal é uma realidade inerente ao mundo, imanente, uma característica da própria deusa physis. Como consolo podemos sempre relativizar os fatos e dizermos que o que é mal para A pode ser de bom alvitre para B, mas isso não elimina a impressão causada em A! O bom bispo de Hipona bem que tentou introduzir uma série de floriados para amenizar essa característica do universo, essa impessoalidade atordoante para quem sofre do mal metafísico, quiçá o pior de todos os males! Em uma palavra Aurelius Augustinis pensou no mal apenas como uma privação do bem, não sendo, portanto, positivo. Mero fraseado de efeito, desses que só poderiam sair da boca de quem dedicou boa parte da vida de estudos à arte da retórica, de convencer pelo palavreado vazio. De melhor proveito para ele deve ter sido a fase em que o bom bispo africano se dedicou por nove anos ao maniqueísmo! Pelo menos os seguidores de Manés pensavam em dois princípios básicos para o universo, duas divindades antagônicas as quais rivalizavam entre si e tinham o mesmo poder! Mas basta! Não posso perdoar o cretino que matou o pobre cãozinho, usando de argumentos tais como os esboçados acima, justificando as atrocidades do filisteu sem coração que ceifou a vida do cãozinho. Eu gosto de responsabilizá-lo por seus atos, por ele ter tirado a vida do animalzinho que nunca poderia ter sido acusado de hipócrita! Ora, isso não era pouco mérito para o totó, pois o colocava bem acima de nove décimos do gênero humano! Dizem que o crente assassino ainda vive, mas mora nas colônias distantes. Às vezes sou tomado de intensas fantasias destrutivas e durmo pensando em vingar o cãozinho! Sinto dores fortes na cabeça e todas elas começam, em geral, pela visão das paredes da casa onde moro. É por isso que vivo repetindo: Eu não gosto de pensar muito sobre as paredes internas de uma casa. Qualquer casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-7518007146826802302?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/7518007146826802302/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=7518007146826802302' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7518007146826802302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7518007146826802302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/03/notas-de-um-esquizofrnico-noctvago-ii.html' title='NOTAS DE UM ESQUIZOFRÊNICO NOCTÍVAGO - II'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-7195237124768541766</id><published>2007-03-01T09:02:00.000-08:00</published><updated>2007-03-01T09:03:03.075-08:00</updated><title type='text'>O SONHO DE UM TOMADOR DE PROZAC</title><content type='html'>Ontem, tive um sonho e acho que foi uma resposta de meu inconsciente aos meus dilemas, às minhas contradições, a minha busca de algo que me é absolutamente inexprimível, por ser só meu. O que é apenas nosso nunca poderá ser passado para outras pessoas na sua inteireza, na sua profundidade. Aliás, é por isso que tenho uma disposição natural a não seguir quaisquer correntes de pensamento usando de dogmatismo, pois quem busca sou eu e apenas eu poderei dar minhas respostas, dar meu sentido único à existência. Um padre, um pastor, um sacerdote pregando no púlpito, falam apenas as verdades deles próprios, o que faz bem ao seu ser (e lamento dizê-lo, muitas vezes aos próprios bolsos!), mas na audiência muitos ficam dispersos, como que imunes às pregações ouvidas e continuam na missa, no culto, nas celebrações, apenas por um instinto de rebanho muito comum no homem médio, por almejarem a imortalidade, por quererem desesperadamente um grande pai protetor ou mesmo o torpor de um ópio. Mais basta de digressões! Como dizia, tive um sonho, destes sonhos marcantes que levamos conosco pelo resto da vida, pela riqueza de detalhes, pelo enorme simbolismo que encerram. Eis seus detalhes mais importantes: Caminhava este escriba por uma estrada esburacada, cheia de irregularidades, lama, imundície e ao longe divisei um velho muito parecido com o meu falecido pai. Mas era um pai filosófico, se posso assim me expressar, uma vez que vestia uma túnica branca muito assemelhada às vestimentas dos antigos sábios do mundo clássico. No início fiquei um tanto quanto inquieto com aquela visão, uma vez que mesmo no sonho tinha conhecimento da morte de meu bondoso e excelente pai (por que temos medo de “assombrações”, mesmo reconhecendo nelas um ser que amávamos?). Após alguns segundos (se é que podemos falar de escala de tempo no mundo onírico!), enquanto eu hesitava entre continuar a caminhada e ficar ali mesmo parado e perplexo, o velho se aproximou de mim, eu que agora inexplicavelmente já não sentia temor algum, é falou-me duas frases curtas mais que conseguiram tocar-me mais profundamente do que os sermões domingueiros haviam conseguido nos meus tempos de infância ao comparecer à igreja do bairro com minha adorável mãezinha. O velho disse-me: Filho o que tenho a comunicar será o teu remédio para a insônia, funcionará também como um prozac e tu continuarás a grande jornada com menos inquietações. Em suma, pense na profundidade de duas coisas: “1) Não é triste mudar de idéia; triste é não ter idéias para mudar;” “2) Nada é mais perigoso que uma idéia quando ela é a única que você tem.” O que posso dizer mais? Se tivesse uma inclinação metafísica mínima que fosse, diria que vi o próprio Senhor personificado em meu velho naquela espécie de estrada para Damasco. Mas penso que temos dentro de nós mesmos um quê de outro sentido profundo, de aptidões insuspeitas que nos facultam, mesmo durante o sono, pensar em um nível sutil, chegando à compreensão de coisas que muitas vezes não conseguimos atingir na vigília. Ora, tal foi o ocorrido com o grande químico alemão Kekulé, entre tantos outros exemplos. Mas, amigo que lê estas linhas, o que digo é apenas a minha verdade particular, a minha interpretação. Vejam que no fundo eu gostaria imensamente de me refugiar no absoluto, de entender o mundo, o esplêndido universo de estrelas e galáxias, de conhecer um pouquinho apenas de algo que não mudasse a partir de pontos diferentes, de uma verdade absoluta. Apenas uma zinha já seria o suficiente para nunca mais voltar a por o prozac na boca. Viveria então satisfeito, quase como um Descartes depois de ter intuído uma primeira verdade, de um primeiro degrau que me possibilitaria ascender na compreensão de um sentido último para o absurdo da existência. Infelizmente, alguma coisa insiste em dizer-me que devo buscas meus sentidos particulares, que não posso me deixar levar pelo sentimento de rebanho, que não devo temer pela liberdade de procurar este velocino de ouro, que o grande sentido da existência nós mesmo é que, ao final, devemos dar. Numa palavra, existem sentidos, no plural, para nossas caminhadas e, quiçá, esta não seja a única coisa que podemos tomar como tendo um grau de absoluto? Evidentemente que para tanto é preciso uma certa tendência a nos afastar-mos, em nossas reflexões, do homem médio, do homem de rebanho propriamente dito e com uma grande arrogância no espírito, e uma arrogância da qual não nos desculpamos nunca, ignorarmos o que diz a maioria, tendo no pensamento as sábias palavras de Anatole france, quando este proclama que muitos bilhões de pessoas acreditando numa tolice não deixa esta tolice menos tola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-7195237124768541766?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/7195237124768541766/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=7195237124768541766' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7195237124768541766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/7195237124768541766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/03/o-sonho-de-um-tomador-de-prozac.html' title='O SONHO DE UM TOMADOR DE PROZAC'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-1303549640216913510</id><published>2007-02-27T17:55:00.000-08:00</published><updated>2007-02-27T17:56:54.632-08:00</updated><title type='text'>NOTAS DE UM ESQUIZOFRÊNICO NOCTÍVAGO</title><content type='html'>Eu sou o homem mais solitário do mundo. Não tenho companhia de outros homens. Não tenho companhia de Deus. Não tenho companhia de sonhos. Sou o mais próximo de uma antena hipersensível que conheço. Capto ondas sutis com meus cabelos. Elas me dizem que o homem comum tem vivido no erro, tem estado atolado na lama negra e pestilenta da quimera metafísica. Observo em volta e tudo parece um grande vazio. Fito o céu e vejo miríades de estrelas cintilando na noite calma e monótona, o grande quadro do absurdo agora mesmo acima de mim. Por todos os lados, um desperdício de matéria e energia. Ao longe um cão vadio ladra, talvez esteja correndo atrás de um gato, talvez de um larápio, talvez ladre de angústia, pois dizem que os cães são os únicos animais demasiadamente humanos, dado que o grande tempo de convívio com os povos através das eras, os torna cada vez mais parecidos conosco. Pobres cães que se transformam em humanos mais e mais! Um bêbedo se aproxima cantarolando uma canção esquisita, parece estar ao mesmo tempo cantando e lamentando. É um bêbedo feliz pois tem um amigo de confiança na garrafa com que baila carinhosamente. Ele continua seu caminho através das ruas escuras no adiantado da madrugada fria. Agora, o bom alcoólatra acaba de cair, mas parece satisfeito uma vez que ao levantar não deixa de executar seu número com o  esmero de um profissional do bailado. Bebe homem, tenta esquecer tua miséria, afoga a consciência atroz no álcool e não dá ouvidos para aqueles que dizem que vais acabar com cirrose hepática. És um fraco e precisas do álcool para suportar teu fardo. Em um certo sentido, temos algo em comum: a consciência do absurdo. Eis a maior manufatura de alcoólatras do mundo! Eu, de minha parte, prefiro sentir cada bocado de angústia, de desespero, de excitação também. Eu sou um homem que descobriu cedo, graças às minhas sutis antenas, coisas impensáveis para a maioria, para o homem de rebanho. Eu ando pelas ruas admirado com os sonâmbulos, com o contentamento daqueles que estão cheios de certezas vãs. Eu tenho vontade de lhes contar as coisas que descobri sobre o mundo mas sei que não serei bem visto, sei que acabarei apedrejado se assim o fizer e, confesso com certa vergonha, tenho medo. É  por isso, devo admitir, que tenho ficado calado. Suprema vergonha! Ainda sou um homem que necessita da aprovação dos fracos, o que me faz reconhecer que também sou fraco! Mas ainda conto com as antenas! Elas me diferenciam do vulgo. Gosto do sossego, mas não como o indolente que fica esperando a hora do último suspiro. Não, o que não suporto é o contato muito próximo com seres comuns, límbicos, com homens da plebe. Eles sempre me aborrecem com sua maneira de ver no dinheiro a única coisa realmente importante. Sou um esteta e vivendo numa era de completa decadência estética pareço deslocado, fora de época. Necessito de valores novos, valores diferentes dos que estão em jogo no mundo de descerebrados, de seres insensíveis. Só a arte poderá salvar homens com antenas. O céu,  uma bela paisagem, o mar, os pássaros, a bruma, os raios de Sol entrando pela janela do meu quarto, Vênus que vi brilhando hoje no oeste à tarde. Minha mente é que dá sentido para todos estes elementos, minha mente de esteta os torna significantes para mim. O meio tem me contaminado é isto que me impede no momento de ver sentido no céu estrelado. Agora, diante desta consciência de contaminação pelo meio que me circunda, vou em busca de uma terapia eficaz. Não posso cortar minhas antenas, mas posso buscar um meio melhor. Não falarei nada, não procurarei esclarecer ninguém, pois prefiro o sossego e a distância segura e, ademais, não tenho certezas pelas quais possa morrer . Prefiro o êxtase que posso encontrar numa bela obra de arte. Prefiro olhar em torno e acompanhar os seres da madrugada fria em meio à névoa. Um bêbedo cantarolando e dançando, um cão que ladra. Sim, agora sinto um delicado prazer, meu senso estético vê beleza na madrugada, nos seres da noite, na bruma que cai e se espalha, nas estrelas cintilando no firmamento negro. Oh! Um galo canta ao longe. Há quanto tempo eu não ouvia o canto de um galo. É o que gosto no interior, nas localidades afastadas. Devo sentar agora pois minhas pernas doem. Daqui a uma hora surgirão os primeiros raios de sol. A aurora é deslumbrante. O que digo? Basta! Ela também anuncia a vinda dos sonâmbulos. Devo ir...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-1303549640216913510?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/1303549640216913510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=1303549640216913510' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/1303549640216913510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/1303549640216913510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/02/notas-de-um-esquizofrnico-noctvago.html' title='NOTAS DE UM ESQUIZOFRÊNICO NOCTÍVAGO'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-722750197993432144</id><published>2007-02-24T16:00:00.001-08:00</published><updated>2007-02-24T16:04:41.321-08:00</updated><title type='text'>AS PEREGRINAÇÕES DE MESTRE CHICOTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(Continuação do Cap - II - Mestre Chicote visita Burroquara, cujo início encontra-se no Orkut)&lt;br /&gt;______________________&lt;br /&gt;Os poucos empregos públicos da Cidade giravam em torno da Prefeitura local e assim é que todos os homens que tinham um mínimo de senso de responsabilidade esperavam que o Prefeito, sujeitos estúpido e autoritário, empregasse os cerca de dez mil habitantes que moravam no centro do Município! Evidentemente que tal era impossível mas o povaréu, com sua bizarra aritmética, não pensava assim e constantemente, nos pontos de maior ajuntamento de gente, se escutavam as pragas desferidas contra o principal mandatário da Cidade. Esse por sua vez, como bom politiqueiro brasileiro, sabendo que a plebe vende a alma ao diabo por muito pouco, tinha na distribuição de cestas básicas a sua principal obra assistencial, para não dizer assistencialista, pois que esta palavra não existia no vocabulário da gente simplória e com vocação para a mendicância, o grosso do eleitorado daquela Cidade. O Prefeito, sabedor do pouco valor daquela gentinha, vivia humilhando os que lhe procuravam para pedir algum favor paternalista, só mostrando alguma consideração quando tinha absoluta certeza que o pedinte era seu eleitor fiel. Como não poderia deixar de ser, aqui também se tinha na primeira dama a secretária de assistência social, com o que a família do prefeito tinha seus recursos aumentados sobremaneira. Eis o negócio rentável em que se transformou a arte da política em nosso “País”. Que retrocesso, quando comparamos com a origem da política no mundo grego!&lt;br /&gt;Mas retornemos ao populacho que sempre me diverte bastante! Pouco depois de ter chegado em Burroquara, me dirigi a um pequeno comércio local e pedi um copo de água. A vendedora olhou-me dos pés à cabeça e me disse: “ não tem água não, vagabundo!”. Fiquei ainda por ali, sob os olhares atentos da proprietária e vi duas senhoras conversando. Uma delas dizia: não, eu não vou ajudar aquela fulana. O que é que eu ganho com isso, me diz? Tudo bem que ela é minha amiga, mas...” Basta! Gritei. E você ainda diz ser amiga da tal senhora? Acaso não conheces a bela verdade expressa na máxima: “ A verdadeira medida de um homem é como ele trata alguém que não lhe tenha utilidade alguma”? As duas correram aos gritos e a dona da mercearia me pôs dali aos safanões! E quanto à visão de mundo do povo? O povaréu deste lugar está certamente no mesmo nível da plebe medieval. Muitos na cidade acreditam em simpatias absurdas e não sabem que lá fora, no mundo civilizado, de há muito que existe uma coisa chamada estado de direito. Ora, por aqui ainda impera a lei do mais truculento. Todos os dias eu vejo as pessoas violando os direitos do próximo como se fosse a coisa mais banal e quando você tenta explicar algum rudimento de cidadania, ética, política e coisas assemelhadas, invariavelmente os seres bizarros que se dizem humanos, saem-se com uma atitude grosseira ou de desdém puro e simples, pois pensam que não se deve dar ouvidos a um sujeito mal vestido e sem dinheiro, como eu. Neste aspecto, devo fazer justiça, são iguais a maioria dos indivíduos do mundo moderno: Eis toda a modernidade destes habitantes! Os cidadãos gregos de 2.500 anos atrás certamente eram de melhor qualidade. Todas as gerações deste lugar medonho estão contaminadas. Temos duendes e demônios por aqui saltitando por sobre as fogueiras, temos entidades maléficas pululando às costas dos intrigantes habitantes do lugar, sempre desconhecedores do mínimo de moral. Espíritos negativos dançam felizes ao verem a amizade inexistir nesta terra triste e escura, enquanto sussurram nos ouvidos do grosso da população, normas morais oportunistas de um estranho utilitarismo, da conhecida lei da oportunidade, do aproveitar a ocasião para tirar algum proveito do próximo. Epicuro ficaria muito feliz ao passear por estas bandas por uns poucos dias e ver como um grupo humano pode neste início de século XXI ser tão superior aos gregos da antiguidade clássica ao ponto de não conhecerem o maior de todos os bens que é a amizade, na harmonia que pode existir entre pessoas que tomam as outras como fim e não apenas como meio. Falta educação e falta amor por aqui. Sociedade deveras bizarra essa que une tecnologia de ponta a seres humanos tão medíocres. Por sobre as casas vejo uma profusão de antenas voltadas para modernos satélites em órbita do globo, vejo televisores, vejo celulares, vejo alguns automóveis bem razoáveis, mas não consigo achar um pouquinho apenas que seja de cidadania, de moral, de amizade, de prazer nas atividades culturais, de bom gosto, de sensibilidade. Em todas as direções em que olho apenas um terrível vazio, seres com um enorme vácuo em suas cabeças, em seus corações, em suas almas. Monstros criados pela mídia, pelo descaso dos políticos, pela indolência, geradores de uma abominável inversão dos valores mais básicos que fazem um homem superior aos animais. Flutuo em agonia por sobre um oceano de sistema límbico e penso com absoluta convicção que o lagarto que balança a cabeça excitadamente enquanto sobe pelo caule de uma árvore em minhas proximidades, vale muito mais que algumas pessoas desprezíveis que vegetam por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-722750197993432144?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/722750197993432144/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=722750197993432144' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/722750197993432144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/722750197993432144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/02/as-peregrinaes-de-mestre-chicote.html' title='AS PEREGRINAÇÕES DE MESTRE CHICOTE'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-4276169196763614061</id><published>2007-02-24T15:36:00.000-08:00</published><updated>2007-02-24T15:38:59.734-08:00</updated><title type='text'>SABEDORIA</title><content type='html'>Um dia resolvi que iria colocar em uma folha de papel um resumo de todas as coisas em que acreditava em ciências, filosofia e nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Forcei meus pobres neurônios aos extremos em que se pode chegar em uma quase sessão de tortura; vasculhei alguns livros dos mais queridos que tenho em minha estante e, fazendo as mais feias caretas de tanto exigir de minhas memórias, pus tudo para fora e tudo isto se dirigindo às minhas trêmulas mãos resultou em uma única folha, mas poderia ser bem menos, no exato espaço em que não se consegue escrever uma letra sequer, um sinal, um ponto parágrafo. É que meu esforço resultou em uma triste folha virgem, seca de significado, em completo branco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-4276169196763614061?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/4276169196763614061/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=4276169196763614061' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/4276169196763614061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/4276169196763614061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/02/sabedoria.html' title='SABEDORIA'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-148219517139211480</id><published>2007-02-24T15:24:00.000-08:00</published><updated>2007-02-24T15:25:44.134-08:00</updated><title type='text'>SOBERBA</title><content type='html'>Carlos é um bem sucedido homem de negócios. Dirige uma grande empresa e tem um séqüito de assessores por onde resolve ir. Tem uma Ferrari, uma BMW e mais dois outros carros importados cujos nomes não me vem à mente neste momento. Carlos fala frequentemente aos gritos, mesmo quando o interlocutor está bem próximo: é que se diverte observando como tremem as pessoas ao serem chamadas por ele. Sabe que elas o classificam no mesmo panteão daqueles deuses que podem empilhar suas fortunas e dar várias voltas em torno do Sol, se assim o desejarem. Desde há muito, mais ou menos pelos seus vinte e um anos, quando chegou ao seu primeiro milhão (na mesma época em que precisou de um psicanalista para convencê-lo de que não era pobre e fracassado!), Carlos tem observado o medo na expressão das pessoas simples que dele se aproximam. Elas parecem, por vezes, petrificadas e o suor desce por suas testas. É isto que o faz, como disse antes, gritar. É como se constantemente precisasse rebaixar os outros para crescer ainda mais no seu próprio conceito. Um dia Carlos acorda e nota que seu mordomo está esquisito. Fala muito pouco com o patrão, só o necessário e o mesmo acontece com o motorista. Normalmente tagarela, por vezes mesmo irritante, o motorista neste dia particular resolveu quase calar-se durante todo o trajeto entre a bela mansão do patrão e a conhecida empresa. Durante este tempo todo, o da viagem, Carlos, intrigado, se pergunta o que teria levado seu motorista ao quase completo mutismo. Mas não consegue indagar do empregado as razões para tanto. Não seria nada sofisticado dar importância a um pobre subordinado. Simplesmente seu status o impedia de inquirir do motorista as razões de seus laconismo. Sim, não seria nada sofisticado mostrar interesse por algo pequeno e rasteiro. Ele, Carlos, era infinitamente superior a tudo aquilo. Carlos saiu do carro e fez o caminho até o escritório da presidência (o seu lugar favorito na Terra!), assobiando e cantarolando uma musiquinha que não sabia muito bem o que dizia, sendo destas composições que inventamos no dia-a-dia mais para passarmos o tempo. Adentrou no escritório, suspirou fundo, sentou-se em sua magnífica poltrona e, súbito, foi tomado do maior pânico que já experimentara em sua vida, maior até do que aquele da “crise de pobreza” dos vinte e um anos quando precisou de um analista, abordado por nós anteriormente, de relance. O que temia Carlos, o Executivo, o presidente, o homem mais seguro da face da Terra, como muitas vezes dizia para si mesmo durante uma reunião onde todos pareciam temê-lo? Seu pânico havia surgido da consciência de que durante todo o trajeto até o escritório não ouvira nenhum “Bom dia, Doutor, tudo bem com o Senhor?”. Nenhum sequer! Nunca havia respondido a estes cumprimentos, no máximo forçava um sorriso sem muita inspiração, mas na falta do “Bom dia...”, costumeiro, subserviente, mais medroso que respeitoso, sentia-se completamente acabado, angustiado. Agora era ele, Carlos, o empresário de sucesso, o milionário, que suava copiosamente. Sua testa parecia uma catarata, tal o volume de suor a escorrer. Seu sentimento, um misto de espanto e impotência (sim impotência!), só aumentou ao fitar a mesa, uma vez que não encontrava nada por sobre ela, coisa estranha pois tinha a melhor, digo, razoável (uma vez que nosso empresário nunca classificava assim quem não chegasse pelo menos ao primeiro milhão!), secretaria Mirna, que sempre deixava as papeladas mais urgentes por sobre a mesa do patrão todos os dias. Deus!, pensou alto, a mesma Mirna que nem ao menos notara a chegada de Carlos ao escritório. Sim, num esforço hercúleo de memória conseguia nitidamente ver que havia passado por Mirna e a mesma também, como os outros, não havia lhe dirigido uma única palavra. Todos compareceram ao trabalho mas, por algum motivo completamente desconhecido para nosso bom empreendedor, estavam muito estranhos, distantes, relapsos, lacônicos ou mesmo mudos. Mirna! Ele pensava alto, venha ligar o meu ar-condicionado, meu terminal de computador, abra as persianas que quero apreciar a bela luz do dia que se faz lá fora. Como? Solicitar de meus empregados algo, quando eles têm obrigação de me atenderem, quase sempre antevendo meus desejos, meus comandos? Isto nunca! Devo ter paciência, Mirna logo entrará por aquela porta e eu, então, darei o maior grito de que sou capaz. De fato todos ouvirão meus berros num raio de alguns quarteirões! E mais: demitirei todos aqueles que ousaram não cumprimentar-me na entrada! Sim é isto o que merecem estes vermes, estes seres abjetos! Dizendo isto nosso bom homem passou a olhar seu relógio e contava as horas ansioso pela entrada da secretaria, que nunca entrava. Pensou, num rasgo de, digamos, consciência: esta coisa, este sentimento opressor que me aperta o peito, este quê de suprema humilhação, será o mesmo que as pessoas sentem quando as trato como vermes? O que digo? Não! Claro que não! O que sinto é referente a mim, a um homem superior, só me pertence e nunca poderia ser o mesmo que uma formiga sente. Ah! Desgraçada, porque não entra aqui agora, esta incompetente? Sem dúvida, esta cretina encabeçará a lista de demissões. Eis uma lista que não obedecerá a ordem alfabética! Papel, onde está o papel? Preciso esboçar a primeira lista de demissões, devo interfonar para o chefe de pessoal e... mas interfonar exige que chame a Mirna e lhe peça...Não! (batendo forte sobre a mesa). Não! Mil vezes, não! Deus! Ficarei assim cativo entre as quatro paredes de minha sala até quando? Prisioneiro em minha própria empresa? Preciso de meu analista, preciso agora mesmo! Devo ligar para o Doutor...mas tenho que interfonar para a Mirna! Preciso sair e ir ao psicanalista, mas se assim o fizer serei humilhado em dobro. De novo, ninguém falará comigo ou quando muito serão apenas lacônicos e boçais. Que tal pegar um táxi em frente à empresa? Mas o que digo, estou ficando louco ao pensar em tamanha baixeza? Deus, preciso mesmo urgente de meu  psicanalista mas tenho que interfonar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-148219517139211480?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/148219517139211480/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=148219517139211480' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/148219517139211480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/148219517139211480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/02/soberba.html' title='SOBERBA'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-8898069200555288012</id><published>2007-02-21T07:28:00.000-08:00</published><updated>2007-02-21T07:29:48.149-08:00</updated><title type='text'>JOÃO, O SÁBIO CARVOEIRO</title><content type='html'>Numa tarde de chuva, aí pelos fins de minha adolescência, um velho, completamente desconhecido para mim, salvou-me o dia. Se você tem uma certa disposição para surtos depressivos e ainda enfrenta uma tarde chuvosa, acompanhada de um vento frio cortante, é inegável que ficará ainda mais triste e sem ânimo. Mas quis a fortuna que naquele dia particular o velho aparecesse e tudo foi luz! Era um velho carvoeiro de profissão, conforme soube no decorrer da conversa que travamos na ocasião, dono de um sorriso bonito e franco, apesar dos inúmeros sinais de cáries adiantadas. De fato, tantas vezes vi sorrisos mais limpos, mais alvos, mais cuidados, mas, a verdade é que não eram sorrisos felizes, francos e muito menos, sorrisos amigos. Não! Eram sorrisos de conveniência, destes em que mostramos os dentes como se estivéssemos participando de um comercial de creme dental na televisão. O sorriso do velho João – era este o seu nome -, era gostoso de olhar, fazia bem à alma, especialmente se ela estivesse triste. O velhote João mostrava em cada expressão que proferia que sua felicidade brotava em grande parte da sua maneira de encarar a vida, positiva na medida em que via as coisas como um passageiro que, ficando na janela de um trem em movimento, contempla a paisagem que foge em disparada, sendo contemplada de relance, fugazmente. O mundo não nos pertence. Somos apenas passageiros, espectadores de um espetáculo que dura apenas um átimo. Neste sentido, disse-me o velho: No final das contas, nós devemos encarar as coisas do ponto de vista de uma flor do campo, destas que tendo nascido ao amanhecer, vê o mundo no transcorrer das poucas horas do dia e, ao entardecer, cai ao chão, murchas e prontas para alimentarem um grande número de pequeninos bichos. Por que, então, todo este estresse do dia-a-dia, toda essa coisa de ganhar mais dinheiro do que se pode gastar? E se se alega que o excesso de dinheiro é para os descendentes, então que mal está-se fazendo aos filhos que nascerão assim, sem possibilidades de lutarem, de se aperfeiçoarem em suas vidas. Que mérito há numa vida sem lutas, sem batalhas pela sobrevivência? O velho, depois de proferir estas palavras, olhou o céu nublado e chamou-me a atenção para um bando de andorinhas que, como costumam fazer nas tardes da Amazônia, voavam para lá e para cá, num belo bailado. Vê? Deveríamos aprender com elas. Deveríamos tornar a vida mais agradável, alçar vôo e nos divertir mais, mas falo aqui de um vôo da consciência, da expansão da mente, da maneira como encaramos as coisas. Você deve estar se perguntando que meus discurso é apenas a manifestação de um fracassado, de um velho carvoeiro que, tendo fracassado na vida, tenta obter consolo na maneira algo poética de ver a vida, não? Mas o fato é que conheço inúmeros doutores que não têm a visão de mundo que aprendi a cultivar. O essencial, filho, a universidade nunca nos dará! Gosto de pensar que Camus tem razão quando diz que o mundo é feito por milhares de almas anônimas, por pessoas simples. Alguém tinha que vender carvão e então resolvi que este alguém poderia muito bem ser eu na minha comunidade! E, acredite, sou feliz! Sabe por quê? É que tenho muitos amigos, pessoas que sei gostarem de mim. Ora, o que elas poderiam esperar de um carvoeiro? Sei que o que fazem por mim é por consideração, pois não tendo posses materiais que valham muito, apenas posso contribuir com minha amizade também e um “sermão” de vez em quando. Bom, o que chamo de “sermão” é que volta e meia, faço minhas palestras no centro comunitário do local onde moro. Gosto especialmente de falar aos jovens. Toda criança é curiosa por natureza. Pena que, em geral, os adultos não saibam lidar com essa curiosidade toda. Muitas crianças pobres de potencial elevado ao encontrarem um “mestre”, que está na profissão mais por dinheiro do que por amor ao ensino, se tornam desinteressadas e aí a coisa se complica. Falo com conhecimento de causa, filho, pois que também fui vítima! Não aceito que os professores públicos fiquem com este discurso vazio de que por não ganharem bem não conseguem se qualificar e, portanto, não podem ministrar aulas decentes. Em absoluto! Se você gosta da cultura, se você gosta de ler, você consegue sim se qualificar na sua casa mesmo, gastando muito pouco. Penso que falta, sobretudo, amor aos professores. Ora, o velho Confúcio era um homem extremamente humilde, vivia sem grandes luxos, não contava com internet (risos!) e, no entanto, sabia ensinar como ninguém: era que fazia aquilo com amor! Gostava do que estava fazendo. Se os professores, sobretudo os professores das crianças, atentarem para a nobre missão que desempenham, então, ao cabo de umas poucas gerações, teremos uma sociedade mais justa, uma distribuição de riqueza mais igual e, evidentemente, os professores também serão aquinhoados. Mas alguém tem que começar, alguém tem que se olhar no espelho e dizer para si mesmo: é isto que quero? O magistério para mim é apenas mais uma profissão? Estou aqui só por salário? Não tenho encarado a minha função social como um sacerdócio? O que tenho feito para a melhoria de meus próprios vencimentos? Gosto de pensar numa história que li no jornal há alguns anos atrás. Os americanos tinham um projeto para medir as distâncias entre os planetas do sistema solar e o Sol. Para isso, resolveram planejar uma sonda espacial que, ao cabo de muitos séculos, iria completar o projeto. Numa palavra, os cientistas que planejavam a missão nunca iriam saber dos resultados finais, posto que morreriam séculos antes! Penso que entre os professores de nosso País, falta este tipo de desprendimento. Alguém tem que ser sacrificado para a melhoria de nosso País, em especial de nossos mestres! Ora, não podemos contar por muitos anos ainda com os políticos, posto que eles há alguns anos tiraram do currículo do ensino colegial a disciplina lógica que ensinaria melhor nossas crianças a pensarem! No futuro as coisas serão diferentes pois teremos um povo politizado e saberemos cobrar mais dos políticos. Assim, por agora, não esperem os professores salários maiores. Algumas gerações de professores terão que planejar sua própria “sonda espacial”, desbravar este universo para, como diria este moço, o Beto Guedes, “ colher que vem depois”. Certamente que este discurso parece excessivamente alienado, dirão alguns mestres enquanto fitam seus magros holerits, mas é a dura realidade. Ou alguém acredita em milagres? Não há mais milagres em nossos tempos, seu moço, apenas a busca de algo que preencha nossas vidas, que nos traga o sentido de volta. Oxalá, não demore muito tempo até o dia em que muitos de nós possamos voltar a contemplar o vôo das andorinhas e, suspirando, ainda acreditar que tudo vale a pena se a alma não é pequena, como diria o poeta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-8898069200555288012?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/8898069200555288012/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=8898069200555288012' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8898069200555288012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/8898069200555288012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/02/joo-o-sbio-carvoeiro.html' title='JOÃO, O SÁBIO CARVOEIRO'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-1283805877813168586</id><published>2007-02-21T05:43:00.000-08:00</published><updated>2007-02-21T05:46:15.478-08:00</updated><title type='text'>JOSEPHUS, O DANÇARINO, SUPLICIADO NO ANO DO SENHOR DE 1221</title><content type='html'>"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.” (NIETZSCHE)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, afinal, por que Josephus, este bom sábio, foi morto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu caro amigo, a razão é muito simples e batida: Muito embora respeitados autores professem que o pobre velho tenha sido acusado de heresia contra a Santa Igreja, sendo por isso supliciado no ano do Senhor de 1221, em Chucrutsburg, um pequeno burgo ao norte da atual Alemanha, tenho razões suficientes que contradizem esta hipótese. Se o velhote fosse uma ameaça para a Igreja, penso que mesmo o pároco local teria aprovado sua morte, mas o certo é que não o fez. Muito pelo contrário: o pároco da aldeia bem que tentou interceder pelo pobre diabo, mas, como um padreco de interior pode ir contra um Bispo? Ora, a coisa toda se complicou para o velhote por uma certa irreverência no seu caráter, uma natural propensão que o velho tinha por dançar freneticamente quando encontrava-se excessivamente feliz e pregando em praça pública as verdades que dizia serem inspiradas por uma espécie de sopro divino, quiçá um parente do demônio socrático, talvez não tão nobre mas, em todo caso, inspirador de coisas maravilhosas, se dermos crédito aos poucos cronistas da época que registraram algo sobre os fatos passados naqueles tempos. O mais lamentável de tudo é que na última dança sem par que o pobre sábio desfrutou, quis a fortuna atroz que fosse presenciada pelo próprio Bispo! E mais: este não apenas presenciou, mas teve uma participação fundamental para os desenvolvimentos subseqüentes! Para um observador deslocado, vendo a história de relance no tempo presente e sendo um pesquisador dos “dançarinos de todas as épocas”, como é o nosso caso, fica bem evidente que não se poderia jamais dançar um número demasiado leve e solto na presença de uma autoridade eclesiástica, quando muito poder-se-ia sorrir, pelo menos levemente, pois que o Deus em que pareciam acreditar era extremamente colérico e triste, um reflexo projetado no firmamento do caráter degenerado da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, e quanto às suas palavras, suas pregações ao povo? Não dizem os entendidos que eram essencialmente heréticas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sem dúvida. Suas pregações não eram nada ortodoxas, mas minhas pesquisas, feitas nos últimos cinco anos, me convenceram de que ninguém no local levava a sério o palavreado um tanto quanto escatológico do velho. Aliás, muitos nutriam por ele até mesmo uma certa simpatia, uma vez que era a única alegria do povo, e falo de todas as faixas etárias. Meu nobre amigo, a vida era excessivamente dura nos tristes anos da idade média. As doenças que hoje quase não vemos falar eram endêmicas, a expectativa de vida ficava em média por volta dos trinta anos e em alguns lugares três ou quatro banhos por ano eram suficientes para manter o corpo de um cristão “são”; as pessoas não sabiam nada sobre vírus e bactérias e costumavam jogar os dejetos, urina, fezes nas ruas das cidades que mais se pareciam, aos olhos de nosso tempo, uns pardieiros. Numa palavra, nem mesmo criadouros de suínos cheiravam tão mal. Deste modo, o velhote oferecia um alento para aquela pobre e bruta comunidade medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, suas palavras são muito interessantes, mas em que fatos se baseiam? O que há de concreto nestas hipóteses todas que o culto amigo defende com tanta veemência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por exemplo, a crônica de Johann, o leproso, de 1225, portanto, escrita quatro anos após o ocorrido, descoberta por mim há dois anos na antiga biblioteca de Choppenhauser, que num trecho bastante elucidativo, proclama: “(...) Tendo dançado no meio do povaréu que aclamava o Bispo, em sua visita anual à comunidade, num ritmo demasiado desconhecido, por vezes até mesmo bizonho, o velho Josephus, em vez da costumeira reverência feita na presença do Senhor Bispo, tirou Vossa Eminência como que para dançar aquele número que mais parecia obra de satanás incorporado no débil corpo do ancião. De fato, ressaltava aos olhos de todos quanto ali estavam que um corpo já tão desgastado pelo passar dos anos, pois o dançarino contava completos oitenta e três primaveras, não poderia, por si só, descrever movimentos deveras leves e cadenciados, tendo na face a expressão lépida de alguém que se entregasse à celebração de algum culto pagão, orgiástico até. (...)”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus! Creio não precisar ouvir mais nada! Como os sábios de hoje ousam ignorar tais provas convincentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vaidades, meu caro, apenas vaidades! Sou, como o amigo sabe, um pesquisador de outra área do conhecimento. Não sou um historiador de carteirinha. Não pertenço ao clube dos historiadores e, por isso, tenho sido desprezado e minhas evidências classificadas sub-repticiamente de grosseiras falsificações. Mas, o que devemos esperar da ciência acadêmica, esta coisa tão próxima da religião, com seus inúmeros dogmas e sacerdotes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem ponderado, começo a pensar numa pequena objeção à sua tese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual é a objeção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, é mais provável que o Bispo e posteriormente a Igreja tenham de fato acreditado numa incorporação demoníaca, afinal estamos falando da Idade Média, um tempo em que se viam demônios nos fatos mais inusitados. Realmente era um estranho mundo aquele que tendo sido criado por um Deus boníssimo, como eles mesmos, sacerdotes, pregavam em seus púlpitos, hospedava mais espíritos malfazejos do que os benevolentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Evidentemente que fiz esta mesma análise um sem-número de vezes. Bem, pelo menos até cair-me às mãos a crônica supra citada de Johann, o leproso. Num outro trecho da referida crônica, lemos: “(...) Após os fatos lamentáveis que se viram nesta Cidade de Chucrutsburg, durante a visita do Senhor Bispo, Vossa Eminência foi ter em particular com o pároco local, Sebastian, e inquiriu do mesmo a respeito do velhote dançarino, com o que o padre, muito pio e solícito, explicou-lhe que não passava de um dos muitos indigentes da comunidade que, diferentemente dos demais, recusava-se a viver às expensas da igreja de Chucrutsburg, pois tinha como ganhar, pelo menos, o pão para a subsistência, sapateiro dos bons que era. Vossa Eminência então retirou-se e ordenou ao padre que não mais deixasse o velhote dançar à vista do povo, pois que tinha achado a dança um tanto quanto exótica em demasia e errática ao extremo, tendo algo que o incomodava profundamente, apesar de não saber expressar em palavras estes sentimentos. Muito embora tenha dito isto ao padre, Vossa Eminência, em segredo, ordenou ao chefe da guarda de sua comitiva que, nas horas altas da madrugada, dois dos seus comandados supliciassem o velhote, tendo deixado bem claro ao capitão que sumisse com o corpo atirando-o no rio Elfo, o maior da região e conhecido particularmente por suas fortes correntes. Assim foi feito e, segundo o muito digno testemunho do capitão, o velhote, após saber a que vinham os guardas que adentravam em sua pobre casa, pediu-lhes apenas que seus algozes o deixassem executar uma última coreografia. Sob os olhares dos dois enviados, o velho saltitou com extrema leveza de um lado para o outro e enquanto realizava este último número, batendo palmas e gesticulando, proferia palavras vagas tais como: “ Meu tempo não é este! Vim apenas para observar o nascimento de um novo Deus, de um Deus que porá toda a humanidade em perigo. Sou o profeta atemporal, meu reino ainda não é chegado e quando vier surgirei de novo e de novo dançarei e dançarei feliz porque terei uma platéia mais digna, também formada por dançarinos, uma companhia mais nobre e demasiado distante do Vosso Deus que já nasceu morto.” Terminado a dança e o discurso, o velhote, tendo as mãos e os pés amarrados, foi atirado ao Elfo e, dizem, apenas gargalhava em altos brados, morrendo como viveu a vida toda, em êxtase.(...)”. Como você pode constatar, meu bom amigo, não há uma única menção a demônios, espíritos malignos e coisa afins saindo da boca do Bispo. A mim parece muito claro que a dança do velho Josephus era extremamente desconfortável para todos aqueles que não compreendiam suas mensagens, um misto de dança e palavras. A favor do Bispo resta-nos dizer que mesmo em nossos dias poucas pessoas seriam tão despertas a ponto de se maravilharem com números da espécie executada por Josephus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que nossa conversa exigirá mais tempo do que havia previsto. Que tal se em outra ocasião, o amigo me explicasse o que entende do pouco da mensagem do velho que sobreviveu na crônica em comento, enfim, daquilo que o velho Josephus parece ter tentado passar, sempre supondo que não se tratava apenas de esquizofrenia?&lt;br /&gt; - Está feito. Marquemos, posteriormente, novo encontro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-1283805877813168586?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/1283805877813168586/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=1283805877813168586' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/1283805877813168586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/1283805877813168586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/02/josephus-o-danarino-supliciado-no-ano.html' title='JOSEPHUS, O DANÇARINO, SUPLICIADO NO ANO DO SENHOR DE 1221'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-116950760253700450</id><published>2007-01-22T15:11:00.000-08:00</published><updated>2007-01-22T15:13:22.550-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;DOS PERGAMINHOS DO PROFETA MOSHE BEN FEITO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Na terceira lua do mês quinto do reinado de Nabbopalazar II, estando eu no oitavo marco do caminho que liga Magônia a Nippur, ouvi uma voz metálica que me induziu a subir a montanha mais alta daquela inóspita e árida região fronteiriça. Não sem penosos esforços, ao cabo de um tempo que me pareceu demasiado longo para calculá-lo com precisão, galguei as encostas do Monte Helas. Então, já no cume gélido, olhei o firmamento e este tinha na aparência e conformidade o aspecto do âmbar. E voltando-me para o zênite, atraído que fui por uma forte rajada de um vento tempestuoso, pude divisar uma roda dentro de outra roda e na borda da maior algo como um animal em tudo humano, que acenava para mim e falava com tom estrondoso, como o ruído de uma queda de água muito alta. E falando ele gesticulava e andava por sobre uma espécie de plataforma que dava volta em torno da maior das rodas e suas palavras ecoavam e me causavam medo. E o ser, alvo em suas vestes celestiais e de elevada estatura e semblante severo, deliberou que eu deveria profetizar de agora em diante e profetizando esclarecer o vulgo do que há de vir e de acontecer até o tempo final que será precedido de prodígios e augúrios celestes. Suas palavras ainda ecoam na minha mente. O Deus disse e eu, humilde servo, divulgo o que pude ouvir com temor e respeito: “ Entes humanos, rogo para que minhas palavras sejam levadas a sério e coisa funestas possam ser evitadas nos tempos futuros. Atentai que vivemos um tempo de absoluto niilismo. O grande profeta da Germânia já havia assinalado o seu enorme desconforto em viver numa época niilista por excelência e sofria com sua carne e sangue até o mais intimo de suas entranhas. O aniquilamento absoluto está próximo e seus sinais já se fazem visíveis. Os valores humanos estão de ponta cabeça, e as coisas importantes são com freqüência chamadas de pequenas, sendo que a cada dia mais e mais pessoas rendem culto às moedas e juram que acreditam em uma divindade metafísica. Não! Elas não crêem em nada, absolutamente em nada! Elas nem ao menos crêem em si mesmas, em potenciais apenas latentes nos homens. Tudo gira em torno do consumo e os shoppings são as novas catedrais. Diante de suas vitrines fantasiosas e vazias os fiéis se emocionam e rendem culto, sacrificam os verdadeiros valores na fogueira da vacuidade e esperam alcançar a felicidade com a plenitude de consumo de um sem-numero de tralhas em sua quase totalidade absolutamente dispensáveis. O vulgo não mudou muito desde os tempos do bom Sócrates! Este ancião frequentemente andava pelas feiras da velha Atenas se divertindo com o estardalhaço causado pelos vendedores e compradores barulhentos. O sábio se divertia por saber que poderia passar muito bem sem aqueles artefatos todos que o vulgo achava tão importantes. Mas nossa posição é certamente inferior à dos antigos gregos, pois já não vemos milagres em nossos tempos e os homens de ciência de nossa época se intrigam com as façanhas dos antigos no período áureo das grandes civilizações. Buscai para entender os tempos pregressos uma atitude mental diversa da atitude niilista, da atitude de vácuo, de cérebros de pudim, de mediocrização dos costumes e modas, do culto ao complexo reptiliano, tão em voga nos últimos séculos. Credes, o niilismo cresce em progressão geométrica e a cada dia arrebata novas mentes e corações. Quando em nossos tempos percebemos que não importa o caráter de um homem mas sua fortuna, então só restam aos poucos não niilistas a maior das angústias! Estes se sentem como que ilhados, cercados de mediocridade por todos os lados. Independentemente de classes sociais, o que se vê em torno é um exército de seres de vácuo, grosseiros e estúpidos, insensíveis, sonolentos diante de uma bela sinfonia, entediados diante de um quadro de um mestre da pintura, ridículos e deslocados no mundo, insatisfeitos com o seu padrão de consumo mesmo que este seja elevadíssimo, como aquela pobre-rica senhora que andava com dezoito cartões de crédito! Eis porque muitos escolhidos, que não são niilistas, em geral desenvolvem o que se conhece na medicina dos homens por agorafobia. E, como homens dotados de sensibilidade e visão acuradas, vêem a raça humana sucumbir no poço sem fundo da descrença total, do niilismo mais radical que a espécie homo já pôde atingir na sua história”. Depois de proferir estas palavras, o ser com a estrutura em forma de rodas que encimava, ascendeu e os céus tragaram em meio a nuvens pardacentas aquele que falava como o trovão e que ensinado emocionava todo aquele que tem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Amém.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-116950760253700450?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/116950760253700450/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=116950760253700450' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/116950760253700450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/116950760253700450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2007/01/dos-pergaminhos-do-profeta-moshe-ben.html' title=''/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-115932247510705162</id><published>2006-09-26T18:59:00.000-07:00</published><updated>2006-09-26T19:01:15.123-07:00</updated><title type='text'>SOBRE ASTROLOGIA E OUTRAS COISAS MAIS</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;CERTA FEITA CARL SAGAN, O CONHECIDO ASTRÔNOMO AMERICANO, CÉLEBRE POR SEUS LIVROS DE DIVULGAÇÃO ASTRONÔMICA RELATOU QUE O SEU HORÓSCOPO AO NASCER DIZIA SER ELE INFLUENCIADO POR MARTE NAQUELA DATA. COM UNS POUCOS CÁLCULOS ESSE CIENTISTA DEMONSTROU QUE O OBSTETRA À HORA DO PARTO TINHA MUITO MAIS INFLUÊNCIAS SOBRE O PEQUENO CARL ORA, APESAR DA MENOR MASSA &lt;st1:personname productid="EM RELAÇÃO AO PLANETA" st="on"&gt;EM RELAÇÃO AO PLANETA&lt;/st1:PersonName&gt; VERMELHO, O MÉDICO ESTAVA BEM MAIS PRÓXIMO DO PEQUENINO FUTURO CIENTISTA NAQUELA OCASIÃO, EXERCENDO ASSIM, UMA MAIOR ATRAÇÃO GRAVITACIONAL &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;COM RESPEITO A PLUTÃO, PLANETA DESCOBERTO EM 1930 POR CLYDE TOMBAUGH, JÁ SE DISSE MUIO QUE A ASTROLOGIA DE ÉPOCAS ANTERIORES DEVERIA SER REVISTA UMA VEZ QUE ESSE PEQUENO MUNDO GELADO NÃO FAZIA PARTE DOS CÁLCULOS DOS ASTRÓLOGOS . BEM, TALVEZ FOSSE O CASO DE SE VOLTAR A PROCEDER COMO ANTES DE 1930, POIS A ASTROLOGIA É, AO CONTRÁRIO DA ASTRONOMIA, UMA "CIÊNCIA" QUE DE FATO SEMPRE ANDOU DE MÃOS DADAS COM TUDO O QUE HÁ DE MAIS RETRÓGRADO. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;SANTO AGOSTINHO, JÁ NO SÉCULO IV DA NOSSA ERA, TINHA OBSERVADO AS HISTÓRIAS DISCREPANTES DE GÊMEOS QUE APESAR DE NASCIDOS COM POUQUÍSSIMAS DIFERENÇAS TEMPORAIS TRILHAVAM CAMINHOS COMPLETAMENTE DÍSPARES! MAS O BISPO DE HIPONA ERA UM HOMEM DE INTELECTO SUPERIOR.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O SER HUMANO PREFERE CRER &lt;st1:personname productid="EM NADA HÁ NADA" st="on"&gt;EM NADA HÁ NADA&lt;/st1:PersonName&gt; CRER E É ASSIM QUE MUITO FREQUENTEMENTE AS PESSOAS PASSAM A ABRAÇAR AS MAIS LOUCAS SANDICES SEM O MÍNIMO DE FUNDAMENTAÇÃO. DEVE-SE OBSERVAR TAMBÉM QUE NA MAIOR PARTE DAS VEZES O MESMO INDIVÍDUO QUE RIR DE UMA CRENÇA ADOTA OUTRAS TANTAS IGUALMENTE IMPROVÁVEIS. SOMOS SERES DO MEDO, SERES DESAMPARADOS. SOMOS OS MAIORES PRIVILEGIADOS E OS MAIORES DESGRAÇADOS A UM SÓ TEMPO POR NOSSO INTELECTO, POR NOSSA CONSCIÊNCIA. CRIADORES DE MITOS POR EXCELÊNCIA,SOMOS ARTÍFICES DE SENTIDO PARA O QUE TALVEZ NO FUNDO NÃO TENHA MAIOR SENTIDO, OU POR OUTRA, QUIÇÁ A VIDA BEM VIVIDA NÃO SEJA A ÚNICA COM UM REAL SENTIDO? MAS QUAL ESSE SENTIDO? QUE NÃO É ABSOLUTO, ISSO É PONTO PACÍFICO. E AQUI EU QUERO DIZER O OPOSTO DO QUE DISSE ANTES.. COMO NIETZSCHE,NÃO TENHO CERTEZAS.!!!!!!!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-115932247510705162?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/115932247510705162/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=115932247510705162' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/115932247510705162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/115932247510705162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2006/09/sobre-astrologia-e-outras-coisas-mais.html' title='SOBRE ASTROLOGIA E OUTRAS COISAS MAIS'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-115577842265062546</id><published>2006-08-16T18:11:00.000-07:00</published><updated>2006-08-16T18:33:42.663-07:00</updated><title type='text'>O QUE NOS RESTA ACONTECER?</title><content type='html'>Nosso triste país está cada vez mais entregue aos bandidos. Hoje mesmo minha companheira perdeu um amigo de longa data, policial militar do Comado de Operaçõies Especiais do Estado do Pará, durante um troca de tiros com uma quadrilha de fétidas escórias que tentava resgatar um outro grupo de ratos  em um presídio de segurança máxima no Município de Santa Izabel, nos arre4dores da feia e suja Cidade de Belém do Pará. Enquanto isso os homens sérios deste país fadado ao fracasso discutem a única coisa que lhes interessa: poder e grana. A política em nosso recanto do globo virou sinônimo de enriquecimento. Impunidade é o que faz os ratos grassarem tanto nas favelas quanto nas assembléias e câmaras espalhadas pelo país a fora.&lt;br /&gt;Quanto aos direitos de vagabundos presidiários, tenho a dizer que é uma coisa deveras idiota se preocupar com direitos daqueles que estão presos exatamente por não darem a mínima para os direitos alheios. Mas os "maluco" não são assim tão doidos quanto querem nos fazer crer. Até o momento, qual o vulto de maior expressão que esses pilantras abateram? Só tem sobrado para os escalões inferiores as balas. É bem verdade que já morreram juízes e delegados  foram queimados,  mas ainda não vi nenhum bacana de maior expressão dançar. Tá faltando mais maluquice nessa história. Esses bandidos são piores que terroristas, pois apesar dos métodos desses últimos serem execráveis, há algo de ideologia, por mais idiota que seja, permeando suas ações, mas os "maluco" estão apenas querendo ter privilégios que só quem trabalha honestamente deve sonhar em ter. Ora, lugar de ratos é exatamente no esgoto. Se os senhores não estão nos esgotos, já está de bom tamanho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-115577842265062546?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/115577842265062546/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=115577842265062546' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/115577842265062546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/115577842265062546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2006/08/o-que-nos-resta-acontecer.html' title='O QUE NOS RESTA ACONTECER?'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-115448161414214971</id><published>2006-08-01T18:16:00.000-07:00</published><updated>2006-08-01T18:22:02.356-07:00</updated><title type='text'>FORA COM OS COMUNISTAS !!</title><content type='html'>Como sonhar em transformar uma sociedade a um ponto onde todos sejam iguais? Depois de conhecer bem algumas pessoas que tive o desprazer de encontrar em meu caminho, não tenho dúvidas de que muitos acéfalos perambulam por aí se dizendo pessoas normais quando na verdade têm um enorme vácuo no interior de suas cabeças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-115448161414214971?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/115448161414214971/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=115448161414214971' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/115448161414214971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/115448161414214971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2006/08/fora-com-os-comunistas.html' title='FORA COM OS COMUNISTAS !!'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32035082.post-115448082297180170</id><published>2006-08-01T17:45:00.000-07:00</published><updated>2006-08-16T18:09:15.506-07:00</updated><title type='text'>AS FAMOSAS PRIMEIRAS PALAVRAS!!</title><content type='html'>Procurarei nessas linhas relatar minhas impressões sobre um sem-número de assuntos que me despertam interesse. Assim, poderei ora falar sobre um determinado livro que li e que acho relevante passar adiante para aqueles poucos internautas que usam o cérebro e que não consideram que o mais interessante na internet é conversar bobagens com interlocutores que fazem questão de abreviar tudo o que escrevem por pura inércia intelectual, ora estarei escrevendo sobre minhas experiências pessoais como um herege assumido, ora ainda praguejando entre um e outro acesso de uma crise depressiva intensa. Assim, espero que um dia encontre pelo menos uma alma que também desde cedo como eu próprio, tenha questionado todas as idéias sacrossantas que lhes tentaram inculcar, que leia Voltaire com um grande prazer, que sinta o cheiro nauseabundo de nossas instituições sempre que passa diante de uma igreja, de uma de nossas ilibadas instituições. É para você que tem estômago sensível que escrevo e não para o vulgo sempre interessando no rasteiro e no banal. Se há alguém inteligente aí do outro lado é só uma questão de tempo para encontrá-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32035082-115448082297180170?l=hipacia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hipacia.blogspot.com/feeds/115448082297180170/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32035082&amp;postID=115448082297180170' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/115448082297180170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32035082/posts/default/115448082297180170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hipacia.blogspot.com/2006/08/as-famosas-primeiras-palavras.html' title='AS FAMOSAS PRIMEIRAS PALAVRAS!!'/><author><name>Livre Pensador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00091236150363497365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_RuxUPpQlMTc/S1uJizffioI/AAAAAAAAAEI/1t-MzjOxl8E/S220/bela+002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
